
Ascom/FMS
Produzir bijuterias, além de um hobby, pode ser uma forma de desenvolver autoestima, estimular a mente e enaltecer o cuidado em saúde mental. Foi com este pensamento que funcionários do Centro de Atenção Psicossocial infanto-juvenil (CAPSi) idealizaram o projeto Entrelace as Contas, que ensina adolescentes de 14 a 18 anos a produzir peças de bijuteria. As atividades acontecem a cada 15 dias e se tornaram um momento de integração e descoberta.
Durante as reuniões, os jovens aprendem a produzir bijuterias de miçanga. Segundo a assistente social Izabel Cronemberger, o projeto tem como objetivo incentivar a criatividade dos jovens atendidos pelo CAPSi, explorando suas potencialidades e criatividade. O momento também serve ainda para estreitar laços entre equipe e usuários, pois eles aproveitam para refletir e conversar sobre suas aflições com os profissionais. As peças são expostas no quiosque Inspirados, espaço de comercialização das obras de usuários dos CAPS no Shopping da Cidade.
“A construção das peças favorece também o convívio familiar, pois eles contam com a ajuda de suas famílias para produzir em casa, e até mesmo adquirir renda, embora este não seja nosso objetivo principal”, esclarece a assistente social. Este foi o caso de Maria Antônia Cardoso, de 14 anos, que descobriu na atividade um passatempo, um momento de alegria e uma fonte de renda, pois sua mãe vende as peças no trabalho. “Eu me sentia muito ansiosa, porque em casa não tinha muita coisa para fazer fora estudar. Quando comecei o projeto aqui no CAPS, eu comecei a me inspirar e pedi para a minha mãe comprar as pecinhas para fazer em casa”, conta a menina. “Isso me ajudou, porque eu passei a me concentrar mais, não só nas atividades escolares, mas também nos afazeres de casa. Me senti muito mais feliz fazendo isso, não achava uma coisa com que eu me identificava e quando comecei a fazer fiquei me sentindo diferente, mais feliz”, relata.
Maria Antônia diz ainda que o hobby permitiu ainda um momento de interação com a família: todos se reúnem para fazer peças, que posteriormente são vendidas por sua mãe. Izabel Cronemberger explica que a participação da família nas atividades é também objetivo do projeto “Nós convidamos as famílias e algumas contribuem de várias formas, como fechando as pulseiras, por exemplo. Isso porque gente entende que o entrelaçar não é só aqui, é um tear que também abrange a família”, ressalta a assistente social.
O projeto conta ainda com a participação de funcionários de outros setores do CAPS que tenham alguma habilidade manual que possa contribuir com o trabalho, como Sandra Silva, que é secretária do órgão e contribui com sua experiência na produção de bijuterias, inclusive ensinando técnicas novas. Outras participantes são a terapeuta ocupacional Maria Auxiliadora Campos, a enfermeira Olívia de Moura e a nutricionista Mônica Mendes. “Aqui nós temos contribuição não apenas da equipe técnica, mas cada um foi apresentando algo que sabia fazer e juntamos tudo”, dizem as profissionais.
O Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil – Dr. Alexandre Nogueira é um serviço multidisciplinar que tem como público alvo crianças e adolescentes de dois a 18 anos incompletos com transtornos mentais graves, severos e persistentes, assim como usuários de álcool e outras drogas. Para isso, dispõe de uma equipe técnica composta por dois psicólogos, três assistentes sociais, uma artesã, um cuidador, duas enfermeiras, três técnicas de enfermagem, uma nutricionista, um psiquiatra, uma fonoaudióloga e terapeuta ocupacional. O CAPSi funciona de segunda a sexta-feira das 08h às 18h.





