Defesa Civil de Teresina atua na assistência a famílias do Parque Rodoviário

A Defesa Civil de Teresina e profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social, Cidadania e Políticas Integradas (SEMCASPI) da Prefeitura de Teresina estão prestando atendimento às vítimas da enxurrada que aconteceu na noite dessa quinta-feira (4) no Parque Rodoviário, zona Sul da capital.

Em decorrência das fortes chuvas, uma lagoa transbordou e rompeu um muro de contenção. A enxurrada destruiu mais de 40 casas, deixou cerca de 30 feridos e vitimou fatalmente duas pessoas. Cerca de 90 famílias foram afetadas.

De acordo com secretário da SEMCASPI, Samuel Silveira, o momento é de muita tristeza e dor. “Estamos prestando toda a assistência para as famílias atingidas, atuando na redução dos riscos e dos danos causados pela enxurrada”, disse o secretário.

O secretário informa também que as equipes de assistência social da Prefeitura de Teresina irão distribuir cestas básicas e kits de limpeza para os moradores afetados e que as famílias que necessitam de ajuda emergencial estão cadastradas no programa Cidade Solidária.

Defesa Civil Municipal monitora bairros atingidos pelas chuvas nesta quarta (3)

A Defesa Civil Municipal de Teresina manteve nesta quarta-feira (3) o trabalho de monitoramento dos efeitos das intensas chuvas que atingiram a capital na noite da última terça (2). A equipe vem visitando as regiões mais afetadas, promovendo a inclusão das famílias de áreas de risco no programa Cidade Solidária e atendendo aos chamados feitos pelo telefone 153.

Nesta quarta-feira (03) a equipe dirigiu-se às áreas mais atingidas pela chuva. O roteiro de atendimentos inclui as regiões da Vila Dagmar Mazza, onde pelo menos cinco casas apresentam risco de desabamento, o bairro Satélite, além da Vila da Fraternidade e do Planalto Bela Vista, onde foram identificadas duas residências com grave risco de desabamento. As famílias vão receber a notificação para que a casa seja desocupada e o órgão vai encaminhar as famílias para os programas de assistência do município.

As zonas rurais da capital também estão previstas para receberem o monitoramento do órgão. A Defesa Civil reforçou que a população deve manter relação próxima com a equipe, por meio de ligação gratuita para o número 153.

“No início do mês de novembro de 2018 a Defesa Civil de Teresina iniciou os trabalhos relativos à chuva, que incluem o monitoramento das áreas de risco existentes na cidade de Teresina e o atendimento às famílias atingidas. No momento atual, estamos em fase de monitoramento tanto da situação das áreas de risco, como das famílias que estão lá”, detalha Sebastião Domingos, coordenador do órgão.

Mulheres da zona Norte buscam capacitação na área da construção civil

Ascom PLN

Lugar de mulher também é no canteiro de obras. Munidas de vontade de aprender e de conseguir a independência financeira, 29 mulheres moradoras da região Norte de Teresina estão fazendo os cursos de pintura de parede e aplicação de revestimento cerâmico, incentivadas pelo Programa Lagoas do Norte. Todas estão desempregadas e sem condições de contribuírem no sustento de suas casas e filhos. Para elas, o curso é uma alternativa e uma ferramenta para se inserirem no mercado de trabalho.

Pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego em 2011 mostram que, no Brasil, o número de trabalhadoras neste setor cresceu 65% em uma década. No ano de 2000, elas eram pouco mais de 83 mil entre 1.094 milhão de pessoas empregadas pelo setor. Em 2008, o número subiu para 137. 969. Os dados revelam uma crescente e as mulheres da zona Norte de Teresina sabem que o principal fator que despertou as construtoras é a qualidade do serviço que elas desempenham numa obra.

“Vim fazer a inscrição com receio de não ter mais mulheres no curso. Estou gostando das aulas e vejo que não é só homem que tem a capacidade de trabalhar com pintura. A mulher tem conhecimento, é mais perfeccionista, tem mais capacidade de enxergar os defeitos, para nós tem que ser tudo perfeito e observamos mais que os homens”, afirma Maria dos Remédios Barbosa e Sousa, 34 anos, moradora do bairro São Joaquim.

Além de terem a disposição de fazerem o curso e se qualificarem, elas consideram que o fato de o mercado de trabalho ainda ser eminentemente masculino e o ambiente considerado machista não traz receio. Diante de qualquer insinuação sobre sua capacidade ou manifestação de preconceito, elas já têm a resposta.

“Não tenho medo de sofrer preconceito porque eu tenho certeza que eu vou saber fazer bem feito e ninguém vai me apontar o dedo só porque eu sou mulher. E, se acontecer, eu não vou parar. Se não quiserem me contratar porque eu sou mulher, vou bater em outras portas até conseguir emprego. Eu acredito que o mercado está aceitando mais mulheres nesse tipo de trabalho pelo nosso jeitinho, o nosso toque feminino. Então, eu tenho certeza que vou conseguir”, diz Maria do Socorro Barros de Oliveira, 41 anos, mãe de três filhos.

Um dos principais fatores que contribuíram para que elas procurassem os cursos foi a possibilidade de se tornarem independentes financeiramente. A maioria das mulheres que reside na região ainda depende dos maridos. Muitas fazem trabalhos informais, porém pouco contribuem com as contas de casa e o sustento dos filhos.

É o caso da Joseane Soares, 31 anos. “Eu já trabalho como autônoma, mas o dinheiro que eu ganho ainda não dá para ajudar em casa. Geralmente, é meu marido que paga as contas. Esse curso é uma forma de empoderamento. Meu marido disse para mim que esse era mais um curso que vai ficar na gaveta. Mas eu tenho boas expectativas e já até conversei com as meninas daqui do curso sobre a possibilidade de fundarmos uma cooperativa entre nós e oferecermos nossos serviços na vizinhança, na família da gente”, revela.

O Programa Lagoas do Norte teve a iniciativa de fazer a parceria para abrir os cursos na área da construção civil a partir da demanda da própria população e também das construtoras que têm atuado nas obras projetadas pelo programa na região. “Identificamos uma demanda de pessoas sem emprego na região de atuação do Lagoas do Norte e, como um dos componentes do programa é justamente o olhar para o social, buscamos operacionalizar esses cursos em parceria com a Fundação Wall Ferraz. A intenção é que essas pessoas se qualifiquem para que possam atuar na área da construção civil, nas obras que acontecem próximas das suas comunidades ou serem contratadas por qualquer empresa”, destaca Márcia Muniz, diretora geral do Programa Lagoas do Norte.

Os cursos foram projetados e estão sendo executados em parceria com a Fundação Wall Ferraz. Ao todo, 120 pessoas estão fazendo a capacitação. “O segmento da construção civil, mesmo em um momento de crise, se mantém ativo e traz um leque de possibilidades de atuação. No caso das mulheres, a atividade de pintora e aplicadora de revestimento acaba tendo um diferencial justamente porque são atividades que requerem maior zelo. Então, esse fazer bem feito tem contribuído para que essas mulheres quebrem o preconceito e o estigma de que o espaço da construção civil não é para elas. Nós esperamos resultados bastante positivos, especialmente a partir da articulação que está sendo pensada pela Prefeitura com as empresas que possuem atuação na área da construção civil na região do Lagoas do Norte”, acrescenta a presidente da Fundação Wall Ferraz, Samara Pereira.

O curso de pintor de obras tem um total de 80 horas/aula e acontece no prédio da administração do Parque Lagoas do Norte. Já o curso de aplicador de revestimento cerâmico está sendo ministrado no Centro de Capacitação do bairro Parque Alvorada e totalizará 140 horas/aula. Ao final, tanto as mulheres como os homens sairão com a mesma capacitação teórica e prática e poderão ser contratados pelas empresas que atuam na região dos 13 bairros de abrangência do Lagoas do Norte ou por qualquer empresa com atuação na cidade.