Começa hoje (11) vacinação contra o VSR para gestantes

A gestante deve apresentar documento de identificação, cartão de pré-natal e cartão de vacinação (Foto: Ascom FMS)

Teresina inicia hoje, 11 de dezembro, a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), uma das principais causas de bronquiolite e pneumonia em bebês. Ela está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS), além das maternidades, Lineu Araújo, Hospital da Polícia Militar e Teresina Shopping, ampliando o acesso e facilitando a adesão das gestantes.

Para viabilizar a vacinação, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) recebeu 2.660 doses, enviadas pelo Ministério da Saúde. Ela é destinada às gestantes de todas as idades, a partir de 28 semanas de gravidez, em dose única. A proteção ocorre por meio da transferência de anticorpos maternos para o bebê, reduzindo de forma significativa o risco de formas graves de doença nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.

Para se imunizar, a gestante deve apresentar documento de identificação, cartão de pré-natal e cartão de vacinação. “A chegada da vacina contra o VSR representa um avanço fundamental para a proteção dos bebês de Teresina. As formas graves da doença são mais frequentes nos primeiros meses de vida, e a imunização das gestantes é a forma mais eficaz de garantir essa proteção. Estamos preparando todas as unidades para iniciar a aplicação e orientar as famílias”, fala Emanuelle Dias, coordenadora de vacinação da FMS.

Situação epidemiológica do VSR em Teresina

O VSR foi o vírus respiratório mais prevalente em Teresina em 2025, com exceção do coronavírus, superando inclusive o vírus Influenza. Das 2.293 amostras analisadas pelo Lacen-PI para pesquisa de vírus respiratórios, 213 foram positivas para VSR. As amostras são provenientes de pacientes internados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e das unidades sentinelas de síndromes gripais.

A maior incidência ocorre em crianças menores de 2 anos, sendo o VSR a principal causa de internação por infecções respiratórias, especialmente nos primeiros meses de vida. No Nordeste, a sazonalidade do VSR abrange os meses de março a julho, período de maior circulação viral.

No Brasil, até 22 de novembro de 2025, foram registrados 43,2 mil casos de SRAG causados por VSR. O vírus é responsável por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos.

Gestantes passam a ter acesso ao exame de HTLV nas unidades de saúde

O HTLV pertence à mesma família do HIV (Foto: Ascom FMS)

Nesta segunda-feira (10), Dia Mundial do HTLV, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina reforçou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do vírus linfotrópico humano (HTLV). Desde outubro de 2025, o exame para detecção da infecção passou a integrar a rotina de pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital, voltado especialmente para gestantes.

De acordo com Teresa Moura, coordenadora do Laboratório Raul Bacelar da FMS, o acesso ao exame ocorre por meio de consulta médica na Estratégia de Saúde da Família. O profissional avalia cada caso e, quando necessário, solicita o teste. A medida busca reduzir a transmissão vertical, da mãe para o bebê, que pode acontecer durante a gestação, o parto ou a amamentação.

O HTLV pertence à mesma família do HIV, mas não causa AIDS. A transmissão ocorre por contato com sangue contaminado, relações sexuais sem proteção e pelo leite materno. Embora a maioria dos infectados não desenvolva sintomas, entre 5% e 10% dos casos podem evoluir para doenças graves, como leucemia/linfoma de células T e paraparesia espástica tropical. Os sinais mais comuns incluem fraqueza nas pernas, dores, dificuldade para urinar e prisão de ventre.

Para Teresa Moura, a inclusão do exame de HTLV na rotina do pré-natal representa um avanço significativo. “Com a medida, Teresina se junta a outras capitais brasileiras que vêm fortalecendo políticas de prevenção e diagnóstico do HTLV, ampliando a proteção às gestantes e aos recém-nascidos e contribuindo para a conscientização sobre um vírus ainda pouco conhecido, mas de grande impacto clínico e social”.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10 milhões de pessoas vivem com o HTLV no mundo, com maior prevalência na América Latina, África e Japão. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a ampliação da testagem em gestantes como estratégia para reduzir a transmissão vertical.

Agenda Teresina 2030 e FMS desenvolvem política inovadora de atendimento a gestantes que sofrem efeitos do calor extremo

Agenda Teresina 2030 e FMS desenvolvem política inovadora (Foto: Ascom Agenda 2030)

Os resultados da pesquisa “Análise do impacto do calor na saúde da mulher gestante de Teresina”, realizada pela Agenda Teresina 2030, estão sendo utilizados como base para a construção de uma nova política pública da atenção básica em saúde para a capital, a partir de uma parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS). Representantes dos dois órgãos da gestão municipal participaram, durante esta semana, do curso Applying Behavioural Science for Early Childhood Development, oferecido pelo INSEAD, Save the Children’s CUBIC e BVA Nudge Unit, na cidade de Fontainebleau (França).

O curso é uma iniciativa da Fundação Van Leer e a capital piauiense foi a única cidade do Brasil escolhida para participar. A equipe da Prefeitura de Teresina foi representada pelo coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, pela arquiteta Elisa Carvalho e pelo médico Breno Noah, da Diretoria de Atenção Básica da Fundação Municipal de Saúde. Além do Brasil, participam equipes da Índia, Israel, Jordânia, Etiópia, Zâmbia e Holanda.

“Tivemos a oportunidade de estudar a ciência comportamental aplicada ao desenvolvimento de políticas públicas voltadas à primeira infância. Teresina foi o grande case do Brasil e discutimos o impacto do calor extremo na saúde da mulher gestante, tema da pesquisa que realizamos no ano passado em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas. A partir de agora, em parceria com a FMS, estamos iniciando o desenvolvimento de uma política pública inovadora, que tem como prioridade qualificar o atendimento no pré-natal, dotando os profissionais de subsídios para que eles possam considerar os efeitos do calor nas queixas das gestantes”, afirma Leonardo Madeira, coordenador da Agenda Teresina 2030.

O médico Breno Noah, que também participou do curso, considera que essa política pública será essencial para a atenção básica e vai transformar a forma de atendimento às gestantes da capital. “Participamos de uma semana intensa de curso onde aprendemos mais sobre a ciência comportamental aplicada a políticas públicas. Isso vai nos permitir transformar a forma como a gente educa nossos profissionais de saúde, a forma como a gente constrói políticas públicas, que a gente faz a nossa assistência em Teresina. A partir de agora, com uma parceria intersetorial nesse projeto, vamos fortalecer a atenção primária e fazer um pré-natal pioneiro com o que aprendemos aqui”, destaca Breno Noah.

A Agenda Teresina 2030, coordenação vinculada à Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação (Semplan), é o órgão da Prefeitura que trata da construção de projetos, ações e iniciativas de clima e sustentabilidade de forma articulada com outros órgãos. Além disso, desenvolve a função de articulação com instituições nacionais e estrangeiras em busca de oportunidades para a capital.

A pesquisa

Durante o período mais quente do ano de 2024, tradicionalmente conhecido como B-R-O Bró (sílabas finais dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro), as equipes percorreram todas as 75 Unidades Básicas de Saúde da zona urbana e aplicaram 411 questionários buscando entender como é a relação entre o calor extremo e saúde da mulher gestante.

Entre os dados mais expressivos, a pesquisa aferiu que 83,7% das mulheres afirmam que o calor afeta seu bem-estar de forma negativa, sendo que 66% sente desconforto frequente por conta do calor e 44% disse que enfrenta uma intensidade extremamente alta de calor.

“Temos dados significativos que nos indicam a necessidade de formatação de políticas públicas para o atendimento dessas mulheres. Em sua maioria, são mulheres pretas e pardas, em situação de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental e que se locomovem a pé pela cidade. Nesse trabalho, pudemos compreender a necessidade de mudanças estruturais nos serviços de saúde, mudanças de comportamento e, especialmente, a necessidade de uma coalisão entre instituições para o enfrentamento aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, analisa Leonardo Madeira.

Agenda Teresina 2030 avança na elaboração do protocolo de calor para gestantes de Teresina

A Agenda Teresina 2030 reuniu, nesta terça-feira (27), representantes de diversos órgãos da gestão municipal para avançar na elaboração do protocolo de calor destinado às mulheres gestantes da capital. Essa política pública atende às queixas das gestantes entrevistadas na pesquisa “Avaliação do impacto do calor extremo na saúde de mulheres grávidas em Teresina”, realizada no ano passado pela Agenda Teresina 2030 em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

A pesquisa revelou que 37% das entrevistadas apresentaram algum tipo de infecção no trato uroginegológico; 75% acreditam que a condição foi agravada pelo calor; 63% respondeu que não havia recebido orientações do profissional de saúde; 91% das mulheres nunca conversaram com um profissional de saúde sobre o impacto do calor na gestação, 84% sentem que não têm acesso adequado a informações e recursos sobre como gerenciar o calor durante a gravidez. Destas, 59% se informam pelas redes sociais e internet e 30% nas Unidades Básicas de Saúde.

Na reunião de hoje estavam presentes representantes da Fundação Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Assistência Social, Cidadania e Políticas Integradas, Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres e Secretaria Municipal de Educação.

“É de grande importância o trabalho desenvolvido de forma colaborativa com as diversas secretarias da Prefeitura porque estamos construindo um protocolo para atender diretamente aos anseios que as mais de 400 gestantes pesquisadas nas 75 Unidades Básicas de Saúde pela nossa equipe manifestaram. A pesquisa nos mostrou que o calor afeta a todos na nossa cidade. Porém, afeta mais intensa aqueles que possuem menos mecanismos para lidar com seus efeitos na saúde e bem-estar”, afirma Leonardo Madeira, coordenador da Agenda Teresina 2030.

A pesquisa foi realizada pela Agenda Teresina 2030 no âmbito do desafio “Climate Change XX: Women’s Health in Focus”, lançado pelo Fundo de Populações da Organização das Nações Unidas (UNFPA/ONU). A capital piauiense foi a única cidade das Américas a vencer esse desafio e, com o prêmio, financiou a realização dos levantamentos. O resultado foi divulgado em dezembro do ano passado.

Agenda Teresina 2030 publica relatório final de pesquisa sobre os efeitos do calor na saúde das gestantes de Teresina; saiba como ter acesso

A Agenda Teresina 2030 publicou no site da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação (Semplan), à qual é vinculada, o relatório contendo os dados consolidados da pesquisa inédita “Avaliação do impacto do calor extremo na saúde de mulheres grávidas em Teresina”, realizada em parceria com o Fundo de População da Organização das Nações Unidas (UNFPA).

Entre os dados mais expressivos, a pesquisa aferiu que 83,7% das mulheres afirmam que o calor afeta seu bem-estar de forma negativa, sendo que 66% sente desconforto frequente por conta do calor e 44% disse que enfrenta uma intensidade extremamente alta de calor.

A pesquisa contempla bases de dados primária e secundária. Foram aplicados 411 questionários diretamente com gestantes atendidas em 75 Unidades Básicas de Saúde localizadas na zona urbana da capital. Cada questionário continha 35 perguntas.

Ao todo, 89% das entrevistadas declarou que o calor impacta sua saúde física, com 82,24% afirmando que tem piorado os sintomas de cansaço ou fadiga e para 50,61% aumentou a dificuldade de respirar. Elas relataram ainda que percebem que o calor afeta seus bebês: entre as que notaram o bebê mais agitado, apresentaram como sintomas físicos o cansaço (92%) e dificuldade de respirar (63%). E, de forma espontânea, elas manifestaram os sintomas relacionados ao calor que as levaram a procurar o médico: assaduras no corpo, falta de ar, dermatite, coceira, mal-estar, dor de cabeça, insônia, confusão mental, enxaqueca, pressão baixa, sangramento no nariz e piora na ansiedade.

Ainda sobre sintomas físicos, 37% das entrevistadas apresentaram algum tipo de infecção no trato uroginegológico durante a gravidez e 75% acreditam que a condição foi agravada pelo calor.

Quando perguntadas se estavam seguindo alguma orientação médica específica para lidar com o calor, 63% respondeu que não havia recebido orientações do profissional de saúde, 25% não buscou orientações e 12% afirmou que estava seguindo as orientações. Porém, ao responderem sobre quais seriam essas orientações passadas, 90% afirmou que seria beber água e 15% tomar mais banhos. No total, 68% avaliam que bebem pelo menos 2,5 litros de água diariamente. Além disso, 91% das mulheres nunca conversaram com um profissional de saúde sobre o impacto do calor na gestação.

O questionário também avaliou o impacto emocional do calor nas gestantes. Do total de entrevistadas, 61% afirmou que sente de forma significativa esse impacto.

Perfil geral

84% das mulheres são pardas e pretas, com média de idade de 27 anos, 60% se locomovem a pé para as consultas e 53% se locomovem a pé no dia a dia.

Entre as que estão no grupo de 15% que declararam ter problema de saúde antes da gravidez, 34% apontaram a hipertensão, 18% a diabetes e 18% a anemia.

Para amenizar o calor

Sobre as medidas que adotam contra o calor extremo, 81% delas disseram que buscam um local fresco, 20% ficam no quarto com ar-condicionado e 20% ficam no quintal ou áreas cobertas da casa. Por outro lado, 70% afirmam que não frequentam parques ou praças, sendo que 34% afirmam que não gostam desses ambientes, 20% não tem acesso e 18% não se sentem seguras em parques e praças.

79% usam roupas específicas para lidar com o calor, como vestidos e shorts. 69% não consideram suas residências adaptadas ao calor extremo.

Falta informação

Do total de entrevistadas, 84% sentem que não tem acesso adequado a informações e recursos sobre como gerenciar o calor durante a gravidez e 15% disseram que tem acesso. Destas, 59% se informam pelas redes sociais e internet e 30% nas UBSs.

Calor e preocupação

As gestantes relataram de forma espontânea preocupações sobre o impacto do calor na sua saúde: piorar a falta de ar e evoluir para algo mais grave, gatilho de ansiedade, insolação, ter um AVC, medo de eclâmpsia, passar mal, desmaio, medo do parto prematuro, infarto, tontura, agravar o emocional, pensamentos agoniantes, medo da depressão subir muito e colocar a vida dela e do filho em risco.

Caráter inédito

Teresina é uma das poucas cidades do planeta a pesquisar cientificamente, com equipes em campo, como o calor extremo tem afetado sua população de mulheres gestantes. Ao propor o tema “O impacto do calor extremo e altas temperaturas no desenvolvimento da gravidez em mulheres de Teresina” no desafio “Climate Change XX: Women’s Health in Focus” do Fundo de Populações das Nações Unidas, a Agenda Teresina 2030 foi uma das seis selecionadas no mundo e premiada com recurso que financiou a realização desta pesquisa.

Acesse aqui o relatório

https://antigo-semplan.pmt.pi.gov.br/wp-content/uploads/sites/39/2025/05/RelatA%CC%83%C2%B3rio-Final-Maio-2025_UNFPA.pdf

Prefeito Silvio Mendes e representante do UNFPA/ONU assinam memorando de entendimentos para ampliar parceria

Prefeito Silvio Mendes e representante do UNFPA/ONU assinam memorando de entendimentos para ampliar parceria
(Foto: Jailson Soares/SEMCOM)

O prefeito de Teresina, Silvio Mendes, e a representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Florbela Fernandes, estiveram reunidos, nesta quinta-feira (15), com o objetivo de assinarem um novo memorando de entendimentos para ampliar a parceria para o desenvolvimento de ações e projetos na área social, atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade e populações atingidas pela emergência climática, além de estabelecer a possibilidade de colaboração com outros países do sul global. Além disso, durante a solenidade foi apresentado o relatório final da pesquisa “O impacto do calor extremo no desenvolvimento da gravidez em mulheres de Teresina”, realizada pela Agenda Teresina 2030 em parceria com o UNFPA.

“Teresina é uma cidade quente, é uma mesopotâmia e é uma área de interesse para essas discussões. Foi desenvolvida uma pesquisa relacionando clima à gestação, e precisamos chamar a atenção para questões que muitas vezes não paramos para pensar”, disse o prefeito Silvio Mendes.

A visita da representante reforça a parceria entre a Prefeitura e a agência internacional, iniciada em 2023, através da Agenda Teresina 2030, órgão da gestão municipal que faz o trabalho de articulação entre a prefeitura e instituições internacionais e atua na pauta da sustentabilidade e monitoramento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU.

Prefeito Silvio Mendes e representante do UNFPA/ONU assinam memorando de entendimentos para ampliar parceria (Foto: Jailson Soares/SEMCOM)

A representante do Fundo de População das Nações Unidas, Florbela Fernandes, destacou a importância das ações que vêm sendo desenvolvidas pela Agenda Teresina 2030. “Fruto da parceria com o UNFPA, foi conduzido um estudo pioneiro sobre os efeitos do calor extremo na saúde materna, com foco em mulheres negras e pardas, no contexto urbano de Teresina. As evidências reunidas fortalecem a capacidade de implementar ações que geram impacto real na vida da população de Teresina. Ao integrar saúde, justiça climática, igualdade de gênero e proteção social, essa iniciativa contribui para fortalecer serviços públicos, reduzir desigualdades e ampliar o acesso a direitos. A experiência de Teresina pode inspirar soluções em outras cidades do Brasil e do Sul Global. O futuro climático exige respostas integradas que conectem saúde, proteção social e adaptação”, afirmou a representante.

Os dados da pesquisa “O impacto do calor extremo no desenvolvimento da gravidez em mulheres de Teresina” foram apresentados pelo coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, e pela líder da pesquisa, Elisa Carvalho. Ela demonstra que as gestantes entrevistadas nas 75 Unidades Básicas de Saúde da zona urbana da capital se queixam de sintomas relacionados ao calor, como fadiga, pressão alta e ansiedade e relatam que não recebem informações sobre como lidar com essas dificuldades. O relatório consolidado será publicado posteriormente nos sites da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão.

Agenda Teresina 2030 anuncia parceria com a IBM para desenvolvimento de ferramenta de IA para analisar riscos climáticos

Teresina foi selecionada pela IBM e a C40 Cities como uma das seis cidades brasileiras a participarem do desenvolvimento da ferramenta Heat Insights, uma solução baseada em dados e alimentada por IA (inteligência artificial) para ajudar as cidades a analisar riscos potenciais que podem surgir como resultado do calor extremo e do efeito das ilhas de calor urbanas. O anúncio, foi feito durante reunião do prefeito Silvio Mendes com a representante do Fundo de Populações das Nações Unidas, senhora Florbela Fernandes, nesta quinta-feira (15).

“Todo mundo sabe que Teresina é uma cidade quente, é uma mesopotâmia, foi Chapada do Corisco e é uma área de interesse para essas discussões. Foi desenvolvida uma pesquisa relacionando o clima à questão da gestação, e precisamos chamar a atenção para questões que muitas vezes não paramos para pensar”, disse o prefeito Silvio Mendes.

A representante do Fundo de População das Nações Unidas, Florbela Fernandes, foi recebida pelo prefeito Silvio Mendes e destacou a importância das ações que vêm sendo desenvolvidas pela Agenda Teresina 2030. “Fruto da parceria com o UNFPA, foi conduzido um estudo pioneiro sobre os efeitos do calor extremo na saúde materna, com foco em mulheres negras e pardas, no contexto urbano de Teresina. As evidências reunidas fortalecem a capacidade de implementar ações que geram impacto real na vida da população de Teresina. Ao integrar saúde, justiça climática, igualdade de gênero e proteção social, essa iniciativa contribui para fortalecer serviços públicos, reduzir desigualdades e ampliar o acesso a direitos. A experiência de Teresina pode inspirar soluções em outras cidades do Brasil e do Sul Global. O futuro climático exige respostas integradas que conectem saúde, proteção social e adaptação”, afirmou a representante.

Prefeitura firma parceria com a IBM para desenvolvimento de ferramenta de IA (Foto: Jailson Soares/SEMCOM)

Nova ferramenta

Junto com Teresina, outras cidades do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Cáceres, Coxim, Salvador e Belo Horizonte) e do mundo (África e Índia), vão participar desse projeto pioneiro proposto pela IBM. Essa plataforma vai ser alimentada com dados de todas essas cidades (saúde, educação, economia, previsões meteorológicas, clima e outros). A IA analisará essas informações e permitirá que as cidades criem estratégias de adaptação para ajudar a aliviar os riscos à saúde da população e os encargos econômicos, ao mesmo tempo em que fortalecem os esforços nacionais de resiliência.

“Teresina nos foi apresentada pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), e entendemos que a cidade lidera nacionalmente as discussões sobre calor extremo. Um dos principais objetivos dessa ferramenta é que as cidades sejam co-criadoras, indicando as bases de dados e indicadores. Nesse sentido, Teresina, certamente, vai ser uma das principais lideranças técnicas desse projeto, principalmente na relação entre calor e saúde pública. E um dos grandes símbolos disso é a pesquisa que a cidade liderou junto com a ONU, conseguindo identificar o impacto do calor extremo na saúde da mulher grávida e, sem dúvida, isso vai ser uma inspiração para o que a gente vai inserir na ferramenta, que contará com diferentes modelos de inteligência artificial. Muitos deles já estão sendo desenvolvidos pela IBM. Modelos meteorológicos também serão utilizados para que a gente consiga identificar, no curto, médio e longo prazos, o perigo do calor e trabalhar com planejamento desse tema”, afirmou Alberto Diniz, gerente de Dados de Calor e Desenvolvimento de Ferramentas, Planejamento de Negócios, Mensuração e Inovação do C40 Cities.

Florbela Fernandes, representante do Fundo de Populações da Organização das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, (Foto: Jailson Soares/SEMCOM)

A proposta da IBM, dentro da estratégia IBM Sustainability Accelerator, e da C40 Cities, uma rede global de quase 100 prefeitos das principais cidades do mundo, é trabalhar junto às gestões públicas para o desenvolvimento de uma solução que terá como objetivo permitir que as cidades criem estratégias de adaptação para ajudar a aliviar os riscos à saúde da população e os encargos econômicos, ao mesmo tempo em que fortalecem os esforços nacionais de resiliência.

O IBM Sustainability Accelerator, é um programa de inovação social que aplica tecnologias IBM, como nuvem híbrida e IA, e um ecossistema de especialistas para aprimorar e dimensionar iniciativas de organizações governamentais e sem fins lucrativos, acelerando o impacto econômico para comunidades vulneráveis ao estresse climático.

Agenda Teresina 2030 reúne secretarias para iniciar formatação de protocolo de calor para gestantes

Foto: Ascom Agenda Teresina 2030

As gestantes de Teresina passarão a contar com um protocolo de calor, um documento com orientações específicas para garantir sua saúde e bem-estar no período do B-R-O Bró. Esse documento será formatado por um grupo de profissionais de várias secretarias da Prefeitura de Teresina, sob a liderança da Agenda Teresina 2030, e subsidiado pelos resultados da pesquisa “Avaliação do impacto do calor extremo na saúde de mulheres grávidas em Teresina”, realizada no ano passado e que revelou os problemas e dificuldades enfrentados por essas mulheres no período mais quente do ano.

“Vamos iniciar esse trabalho em conjunto com a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, Fundação Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Assistência Social e Políticas Integradas e Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A pesquisa nos revelou os efeitos do calor extremo na saúde de mulheres gestantes e também que o nível de orientação não é suficiente para que elas consigam lidar com esses efeitos. Então, esse protocolo vai cumprir essa função”, afirma Leonardo Madeira, coordenador da Agenda Teresina 2030.

A pesquisa foi realizada pela Agenda Teresina 2030 no âmbito do desafio “Climate Change XX: Women’s Health in Focus”, lançado pelo Fundo de Populações da Organização das Nações Unidas (UNFPA/ONU). A capital piauiense foi a única cidade das Américas a vencer esse desafio e, com o prêmio, financiou a realização dos levantamentos. O resultado da pesquisa foi divulgado em dezembro do ano passado.

Entre os dados mais expressivos, a pesquisa aferiu que 83,7% das mulheres afirmam que o calor afeta seu bem-estar de forma negativa. Ao todo, 89% das entrevistadas declararam que o calor impacta sua saúde física, com 82,24% afirmando que tem piorado os sintomas de cansaço ou fadiga e para 50,61% aumentou a dificuldade de respirar. E, de forma espontânea, elas manifestaram os sintomas relacionados ao calor que as levaram a procurar o médico: assaduras no corpo, falta de ar, dermatite, coceira, mal estar, dor de cabeça, insônia, confusão mental, enxaqueca, pressão baixa, sangramento no nariz e piora na ansiedade.

Ainda sobre sintomas físicos, 35% das entrevistadas apresentaram algum tipo de infecção no trato uroginegológico durante a gravidez e entre elas 75% acreditam que a condição foi agravada pelo calor.

Quando perguntadas se estavam seguindo alguma orientação médica específica para lidar com o calor, 63% respondeu que não havia recebido orientações do profissional de saúde, 25% não buscou orientações e 12% afirmou que estava seguindo as orientações. Porém, ao responderem sobre quais seriam essas orientações passadas, 90% afirmou que seria beber água e 15% tomar mais banhos. No total, 68% avaliam que bebem pelo menos 2,5 litros de água diariamente. Além disso, 91% das mulheres nunca conversaram com um profissional de saúde sobre o impacto do calor na gestação.

O questionário também avaliou o impacto emocional do calor nas gestantes. Do total de entrevistadas, 61% afirmou que sente de forma significativa esse impacto.

Perfil geral

84% das mulheres são pardas e pretas, com média de idade de 27 anos, 60% se locomovem a pé para as consultas e 53% se locomovem a pé no dia a dia.

Entre as que estão no grupo de 15% que declararam ter problemas de saúde antes da gravidez, 34% apontaram a hipertensão, 18% a diabetes e 18% a anemia.

Para amenizar o calor

Sobre as medidas que adotam contra o calor extremo, 81% delas disseram que buscam um local fresco, 20% ficam no quarto com ar-condicionado e 20% ficam no quintal ou áreas cobertas da casa. Por outro lado, 70% afirmam que não frequentam parques ou praças, sendo que 34% afirmam que não gostam desses ambientes, 20% não tem acesso e 18% não se sentem seguras em parques e praças.

79% usam roupas específicas para lidar com o calor, como vestidos e shorts. 69% não consideram suas residências adaptadas ao calor extremo.

Falta informação

Do total de entrevistadas, 84% sentem que não têm acesso adequado a informações e recursos sobre como gerenciar o calor durante a gravidez e 15% disseram que têm acesso. Destas, 59% se informam pelas redes sociais e internet e 30% nas UBSs.

Para Elisa Carvalho, líder da pesquisa, os dados evidenciam que as mulheres sentem falta de informação, de um cuidado mais específico por parte dos profissionais de saúde e orientação. “Fomos muito felizes em aplicar um questionário que permitiu que essas mulheres pudessem manifestar o que estavam sentindo e passando no seu cotidiano e o que percebemos com isso é que elas precisam é de informação, de orientações mais direcionadas às formas de mitigar o calor extremo, de se sentirem mais confortáveis em casa e minimizar os sintomas”, explicou.

Calor e preocupação

As gestantes relataram de forma espontânea preocupações sobre o impacto do calor na sua saúde: piorar a falta de ar e evoluir para algo mais grave, gatilho de ansiedade, insolação, ter um AVC, medo de eclâmpsia, passar mal, desmaio, medo do parto prematuro, infarto, tontura, agravar o emocional, pensamentos agoniantes, medo da depressão subir muito e colocar a vida dela e do filho em risco.

Gestantes têm acompanhamento de perto pelas equipes de Saúde da Família

Gestantes tem acompanhamento de perto pelas equipes de Saúde da Família. Foto (Ascom/FMS).

As Unidade Básica de Saúde (UBS) de Teresina estão promovendo atividades temáticas voltadas para as gestantes acompanhadas pela Estratégia Saúde da Família (ESF). Ontem (30) foram realizadas atividades em duas unidades, dos bairros Ininga (zona Leste) e Nova Brasília (zona Norte).

A UBS Ininga realizou ação preparatória para as gestantes acompanhadas pela equipe 12 da ESF. As gestantes foram orientadas sobre temas pertinentes à maternidade, como mudanças e cuidados com a gestação, parto normal, cesariana, anestesias e cuidados com o puerpério, orientações nutricionais na gestação e pós-parto, aleitamento materno, preparo da mama, cuidados com o bebê e pré-natal odontológico.

Já a UBS Nova Brasília promoveu, por meio das equipes 26 e 174, uma roda de conversa com 10 futuras mamães da comunidade, com distribuição de brindes, lanches e música ao vivo.

As ações desse tipo são realizadas por profissionais como médica, enfermeira, dentista, nutricionista. A realização do pré-natal representa papel fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante.

Projeto leva gestantes atendidas pelo SUS para visita às maternidades onde farão parto

Gestantes atendidas pelo SUS para visita às maternidades onde farão parto. Foto (Ascom/FMS).

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) disponibiliza visitas agendadas às gestantes que realizam pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) até as maternidades municipais onde farão o parto. Esse conhecimento sobre a maternidade é comprovado como positivo para a gestante por proporcionar familiaridade e reduzir incertezas e até medos, afirma a enfermeira Mércia Cassandra, do apoio técnico das maternidades municipais.

Cada maternidade terá esse acolhimento uma vez por semana em datas previamente definidas. As UBS agendam com as maternidades e essas disponibilizam equipe de multiprofissionais para acolhimento dessa gestante.

Conforme calendário previamente organizado, as visitas das gestantes acontecerão a partir deste mês de maio todas as quartas-feiras e inicia amanhã, quarta-feira (3), na Maternidade do Satélite às 9h e às 15h. Na Maternidade Wall Ferraz (Dirceu) toda sexta-feira às 9h e às 15h30, na Maternidade do Buenos Aires toda sexta-feira às 9h e às 14h. Na Maternidade do Promorar (zona Sul) as visitas ocorrerão apenas na terceira quarta-feira de cada mês devido à pequena quantidade de mulheres realizando o pré-natal.

Nessas visitas a equipe de profissionais de cada maternidade apresenta os locais específicos de atendimento às gestantes, como salas de parto, centro cirúrgico e enfermarias.

A diretora da Maternidade do Satélite, zona Leste, Luciana Silveira, diz que as visitas são uma forma de vinculação prévia da gestante a uma maternidade na qual será realizado o parto e onde essa grávida será atendida nos casos de intercorrências do pré-natal”, cita.