Ex-aluna do Unitodos é exemplo de luta e empoderamento na educação

Ascom/Semjuv

Andréa Eduarda, 19 anos, é cadeirante e todos os dias faz um percurso superior a 12 km para chegar até a Universidade Federal do Piauí, onde estuda Direito. De família humilde, foi aluna do Unitodos, cursinho popular promovido pela Prefeitura de Teresina para alunos de baixa renda. A estudante prova que a educação realmente promove mudanças, mostrando-se como um exemplo neste mês das mulheres.

“Sempre fui estudante de escola pública e enfrentei muitas dificuldades, mas sempre superadas com muita força de vontade”, afirma, ressaltando que, nos planos para os próximos anos, pretende atuar no direito penal. “Pretendo modificar a vida das pessoas, porque o Direito faz isso”, sonha.

Ela destaca que o Unitodos foi essencial para sua aprovação. “Mesmo não podendo frequentar todas as aulas, por causa de uma intervenção cirúrgica, as aulas, a didática dos professores e todo material disponibilizado foram de bastante reforço para eu alcançar o bom desempenho que tive no Enem”, lembra.

Andréa conta que, como cadeirante, os desafios  são ainda maiores. “Além da dedicação o ensino, também tinha que me dedicar integralmente às terapias.  Mas é de extrema importância acreditar que podemos qualquer coisa, que podemos ocupar vários cargos e estar em qualquer âmbito social”, complementou.

O Programa Unitodos, que existe há duas décadas, oferece aulas gratuitas com professores qualificados para alunos de baixa renda. Em 2019, foram 355 alunos aprovados na chamada regular, com expectativa de chegar em 800 após as próximas convocações. “É uma satisfação muito grande poder ajudar no futuro desses alunos, trazer uma política pública de resultados para a juventude. A Prefeitura de Teresina tem um trabalho grande na educação desde a base, e a tendência é o Unitodos crescer a cada ano”, observa  secretário da Juventude, Zé Filho, acrescentando que a expectativa é de ampliar o número de turmas em 2020.

SMPM destaca políticas públicas no Dia Nacional de Luta contra a violência à mulher

Nesta quinta-feira (10), é comemorado o Dia Nacional de Luta contra a violência à mulher. A data foi criada em 1980, como desdobramento de um movimento nacional realizado em São Paulo em protesto contra o índice crescente de crimes dessa natureza em todo o país. Para a secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Teresina (SMPM), Macilane Gomes, essa é uma data importante para refletirmos sobre a evolução da desnaturalização da violência contra mulher.

“Através de muita luta, manifestações e reflexões, aos poucos, a gente vem desconstruindo essa naturalização da violência contra a mulher. Esta data deve servir para conscientizar cada vez mais sobre os direitos das mulheres. A Prefeitura de Teresina, através da SMPM, tem o compromisso de ampliar cada vez mais as políticas públicas que atendem dessas vítimas”, pontua a secretária.

Caracteriza-se como violência contra a mulher qualquer ato ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico, tanto na esfera pública quanto na privada. Como punição, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) traz a criminalização do ato desde 2006, prevendo maior responsabilização aos agressores, que normalmente estão inseridos no ambiente familiar.

A pesquisa realizada pela Secretaria, denominada” Diagnóstico Sobre a Situação de Violência contra a Mulher” em Teresina, aponta que as delegacias especializadas registraram, entre os anos de 2014 e 2017, o número de 25.105 boletins de ocorrências, onde a maior parte é de ameaças, injúrias e lesões corporais dentro desse contexto.

A SMPM, fazendo valer o artigo 8º da lei, que coibe a violência doméstica e familiar, vem promovendo ações educativas e disponibilizando atendimento especializado através do Centro de Referência Esperança Garcia (CREG), que fica localizado na Rua Benjamim Constant, 2170, Centro/norte. O espaço conta com o trabalho de uma equipe multiprofissional e realiza atendimento das 8h às 14h, de segunda à sexta.

“Quando elas chegam ao local, é feito um atendimento e acompanhamento psicológico e social, bem como orientação jurídica, colaborando para a construção de equidade de gênero e enfrentamento das diferentes formas de agressão. Para tanto, o centro ainda busca firmar parcerias com outros serviços, a fim do fortalecimento da autonomia financeira, econômica e produtiva das vítimas.  De 2015 a 2019 o CREG atendeu 610 mulheres, gerando um total de 2.129 atendimentos especializados” destaca Macilane.

A dona de casa, M.G é uma das mulheres acompanhadas pelo centro e considera o espaço de grande importância, pois através dos serviços ofertados conseguiu se fortalecer e denunciar o agressor após anos de sofrimento. “Sofri todos os tipos de violência por dez anos, e através do centro me fortaleci e consegui, além de deixar o agressor, denunciá-lo e registrar o boletim de ocorrência. Hoje tenho uma medida protetiva e ele não pode aproximar-se de mim. O espaço, além de me fortalecer nas decisões, me proporciona capacitações e cursos, que podem me levar a um futuro melhor”, esclarece.