Mulheres da zona Norte buscam capacitação na área da construção civil

Ascom PLN

Lugar de mulher também é no canteiro de obras. Munidas de vontade de aprender e de conseguir a independência financeira, 29 mulheres moradoras da região Norte de Teresina estão fazendo os cursos de pintura de parede e aplicação de revestimento cerâmico, incentivadas pelo Programa Lagoas do Norte. Todas estão desempregadas e sem condições de contribuírem no sustento de suas casas e filhos. Para elas, o curso é uma alternativa e uma ferramenta para se inserirem no mercado de trabalho.

Pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego em 2011 mostram que, no Brasil, o número de trabalhadoras neste setor cresceu 65% em uma década. No ano de 2000, elas eram pouco mais de 83 mil entre 1.094 milhão de pessoas empregadas pelo setor. Em 2008, o número subiu para 137. 969. Os dados revelam uma crescente e as mulheres da zona Norte de Teresina sabem que o principal fator que despertou as construtoras é a qualidade do serviço que elas desempenham numa obra.

“Vim fazer a inscrição com receio de não ter mais mulheres no curso. Estou gostando das aulas e vejo que não é só homem que tem a capacidade de trabalhar com pintura. A mulher tem conhecimento, é mais perfeccionista, tem mais capacidade de enxergar os defeitos, para nós tem que ser tudo perfeito e observamos mais que os homens”, afirma Maria dos Remédios Barbosa e Sousa, 34 anos, moradora do bairro São Joaquim.

Além de terem a disposição de fazerem o curso e se qualificarem, elas consideram que o fato de o mercado de trabalho ainda ser eminentemente masculino e o ambiente considerado machista não traz receio. Diante de qualquer insinuação sobre sua capacidade ou manifestação de preconceito, elas já têm a resposta.

“Não tenho medo de sofrer preconceito porque eu tenho certeza que eu vou saber fazer bem feito e ninguém vai me apontar o dedo só porque eu sou mulher. E, se acontecer, eu não vou parar. Se não quiserem me contratar porque eu sou mulher, vou bater em outras portas até conseguir emprego. Eu acredito que o mercado está aceitando mais mulheres nesse tipo de trabalho pelo nosso jeitinho, o nosso toque feminino. Então, eu tenho certeza que vou conseguir”, diz Maria do Socorro Barros de Oliveira, 41 anos, mãe de três filhos.

Um dos principais fatores que contribuíram para que elas procurassem os cursos foi a possibilidade de se tornarem independentes financeiramente. A maioria das mulheres que reside na região ainda depende dos maridos. Muitas fazem trabalhos informais, porém pouco contribuem com as contas de casa e o sustento dos filhos.

É o caso da Joseane Soares, 31 anos. “Eu já trabalho como autônoma, mas o dinheiro que eu ganho ainda não dá para ajudar em casa. Geralmente, é meu marido que paga as contas. Esse curso é uma forma de empoderamento. Meu marido disse para mim que esse era mais um curso que vai ficar na gaveta. Mas eu tenho boas expectativas e já até conversei com as meninas daqui do curso sobre a possibilidade de fundarmos uma cooperativa entre nós e oferecermos nossos serviços na vizinhança, na família da gente”, revela.

O Programa Lagoas do Norte teve a iniciativa de fazer a parceria para abrir os cursos na área da construção civil a partir da demanda da própria população e também das construtoras que têm atuado nas obras projetadas pelo programa na região. “Identificamos uma demanda de pessoas sem emprego na região de atuação do Lagoas do Norte e, como um dos componentes do programa é justamente o olhar para o social, buscamos operacionalizar esses cursos em parceria com a Fundação Wall Ferraz. A intenção é que essas pessoas se qualifiquem para que possam atuar na área da construção civil, nas obras que acontecem próximas das suas comunidades ou serem contratadas por qualquer empresa”, destaca Márcia Muniz, diretora geral do Programa Lagoas do Norte.

Os cursos foram projetados e estão sendo executados em parceria com a Fundação Wall Ferraz. Ao todo, 120 pessoas estão fazendo a capacitação. “O segmento da construção civil, mesmo em um momento de crise, se mantém ativo e traz um leque de possibilidades de atuação. No caso das mulheres, a atividade de pintora e aplicadora de revestimento acaba tendo um diferencial justamente porque são atividades que requerem maior zelo. Então, esse fazer bem feito tem contribuído para que essas mulheres quebrem o preconceito e o estigma de que o espaço da construção civil não é para elas. Nós esperamos resultados bastante positivos, especialmente a partir da articulação que está sendo pensada pela Prefeitura com as empresas que possuem atuação na área da construção civil na região do Lagoas do Norte”, acrescenta a presidente da Fundação Wall Ferraz, Samara Pereira.

O curso de pintor de obras tem um total de 80 horas/aula e acontece no prédio da administração do Parque Lagoas do Norte. Já o curso de aplicador de revestimento cerâmico está sendo ministrado no Centro de Capacitação do bairro Parque Alvorada e totalizará 140 horas/aula. Ao final, tanto as mulheres como os homens sairão com a mesma capacitação teórica e prática e poderão ser contratados pelas empresas que atuam na região dos 13 bairros de abrangência do Lagoas do Norte ou por qualquer empresa com atuação na cidade.

 

SDU Centro/Norte monitora região após chuvas do fim de semana

A Superintendência de Desenvolvimento Urbano Centro/Norte (SDU) realiza na manhã desta segunda-feira (25) ações de monitoramento após alagamentos em bairros da região. As equipes já estão nos locais com mais transtornos causados pelas chuvas, realizando limpeza de canais, bocas de lobo e galerias, além do trabalho de manutenção nas estações de bombeamento, para melhor escoamento das águas, nos bairros Parque Alvorada, Nova Brasília, Parque Brasil e Mocambinho.

“Estamos concentrando as equipes nessas localidades atingidas e fazendo vistoria em todas as bocas de bueiro da região. Lembrando que é importante que a população se atente para o descarte correto do lixo, que é a principal causa desses entupimentos”, destaca Márcio Sampaio, superintendente executivo da SDU.

O descarte irregular de lixo é um dos principais agravantes para o entupimento desses canais, sendo importante que o cidadão denuncie o descarte irregular e colabore com uma cidade mais limpa. A população pode denunciar essas irregularidades por meio do telefone (86) 3215-7465 ou do aplicativo Colab, que fornece aos teresinenses a possibilidade de acrescentar mais informações.

Além disso, as equipes da SDU Centro Norte seguem a programação normal de limpeza (capina, varrição e limpeza de praças) em outros pontos da região, como bairro Ilhotas, Avenida Centenário e Avenida Maranhão.

PLN investe R$ 33 milhões em obras de reurbanização de lagoas da zona Norte

Durante o ano de 2019 o Programa Lagoas do Norte está concentrando os trabalhos nos projetos de requalificação urbana e ambiental das lagoas do São Joaquim e Oleiros e parte das lagoas do Mazerine e Piçarreira. Ao todo, serão investidos R$ 33 milhões em duas obras, financiadas pelo Banco Mundial.

36s projetos contemplam a revitalização das lagoas e suas margens, retirada do lixo, drenagem, limpeza da lâmina d’água e a implantação de parques lineares dotados de espaços para lazer e prática esportiva, possibilitando a preservação da fauna e da flora locais. “Vamos construir parques lineares urbanos na região da Nova Brasília e do São Joaquim, em parte do bairro Mafrense, que compreende as lagoas da Piçarreira e Oleiros. A Lagoa da Piçarreira é uma das mais belas da região e a população de Teresina desconhece. Ela tem uma lâmina d’água que permanece o ano inteiro e a nossa proposta é descobrir e apresentar essa lagoa para a cidade”, afirma Leonardo Madeira, diretor executivo do PLN.

A Lagoa dos Oleiros é a maior da região. Ela está situada nas proximidades do Parque Encontro dos Rios e, atualmente, não é possível ver o espelho d’água por conta da grande quantidade de vegetação que existe dentro dela. Ela está assoreada. O projeto prevê sua total revitalização.

Na Lagoa do Mazerine, até é possível ver a água. Porém, suas margens são depósito permanente de lixo, o que propicia o aparecimento de criadouro de mosquitos e outros insetos, contribuindo para o adoecimento da população que vive no entorno e o impedimento do uso total da rua que passa ao lado.

“Essas lagoas têm um papel e uma importância ambiental enorme para a região. Elas são abrigo de fauna e flora, contribuem para a condição microclimática e para a drenagem. É um sistema que precisa ser preservado por nós. Então, o que o Lagoas do Norte busca é colaborar para que o sistema de drenagem funcione, para que essas lagoas tenham uma qualidade melhor e para a preservação de todo esse ecossistema que existe na região, permitindo um uso sustentável por parte da população”, explica Leonardo Madeira.