
Renato Bezerra
Em um mundo repleto de lutas e conquistas, ideias e expressões, quando se trata de cultura negra existem as palavras resistência e liberdade. Em Teresina, no último sábado (24), mais de 50 terreiros do Piauí e Maranhão estiveram reunidos no Parque Potycabana para a sétima edição do Cultura Negra Estaiada na Ponte.
Com o tema liberdade religiosa, a principal causa do evento foi mostrar para a sociedade uma manifestação de pensamento, compreendendo liberdades de crença, de culto e de expressão. Essa mesma liberdade que encanta a vendedora trans Sayara Rodrigues, frequentadora da umbanda desde o começo do ano.
Levada pela dor e pela luta contra as drogas, Sayara, através de um amigo, descobriu na umbanda um porto seguro, onde ela pode ser quem quiser, livre de preconceitos e julgamentos. “Desde os 11 anos me transformei em trans e passei por muitas coisas na vida, como o julgamento errado e o preconceito, e aí acabei nas drogas. Foi por conta da dor que conheci a cultura negra e foi libertando a dor dentro de mim que consegui sair das drogas e comecei a viver com Cristo. Dentro da minha religião não há julgamentos, só tem amor e gratidão aos santos”, afirma a vendedora.
Seguindo os moldes de edições anteriores, 11 grupos afros fizeram a abertura do evento, que seguiu em direção a Ponte Estaiada na Caminhada do Axé. A ideia era fortalecer as ações de monitoramento e controle social de políticas públicas na saúde e educação, entre outros aspectos.
Com objetivo de promover a igualdade e inclusão social dos povos de matriz africanas, o Cultura Negra é um espaço para mostrar uma das grandes expressões do país e revelar a capacidade de produção desses grupos.
Há 26 anos buscando palavras de apoio, a enfermeira Dilza Soares, atual Yakekere (mãe pequena Candomblé) encontrou no Candomblé a leveza para dias melhores. “Minha filha há 26 anos me aproximou dessa cultura tão rica e poderosa. Foi com ela que comecei a frequentar e conhecer novas crenças”, disse.
Segundo a Yakekere, o Candomblé é um lugar de encontro com Deus, onde a pessoa consegue estar em contato com todas as energias: mar, terra, ar e mar. “A união de religiões de matriz africanas mostra o respeito às religiões. Nossa cultura é estar conectado a todas as energias de maneira livre, respeitosa e com muito amor”, afirma Dilza.
Em Teresina são mais de 700 terreiros, entre candomblé e umbanda. A reunião dos terreiros tem como missão promover a igualdade e inclusão social dos povos de matriz africanas.
O sétimo Cultura Negra Estaiada na Ponte foi uma realização da Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC) e o Centro Nacional de Africanidade e Resistencia Afro Brasileira (CENARAB).



















Arrepiar-se ao escutar um solo de guitarra, colar posters dos ídolos na parede do quarto e fazer coro para aquelas músicas ícones fazem parte da tradição do rock. Na segunda noite do The Vejo na Ponte, Teresina respirou o gênero musical com quatro bandas renomadas do Piauí. O evento contou com a participação de Edivaldo Nascimento, Último Romance, Maverick 75 e Cojobas.



















