FMS registra que quase 2 mil crianças tiveram Covid-19 e 98% ficaram recuperadas em Teresina

Dados da Fundação Municipal de Saúde (FMS) apontam que 1.713 crianças menores de 12 anos de idade foram diagnosticadas com Covid-19 em Teresina, desde março até esta segunda-feira (21). Desse total, 98% ficaram recuperadas e 2% estão em isolamento social. O público infantil não faz parte do grupo de risco da Covid-19, mas a FMS alerta que a doença ainda é alvo de estudos científicos pelo mundo, o que requer cuidados preventivos pela população.

Mariana Nery, de 11 anos de idade, está na lista dos recuperados da Covid-19. Ela é aluna do projeto Samuzinho, iniciativa do SAMU que ensina primeiros socorros para crianças.  Sua mãe Sheyla Barbosa é enfermeira e conta que a filha apresentou sintomas leves da doença. “A família ficou apreensiva com a notícia, mas ela venceu a batalha contra esse vírus. Confiamos na conduta dos médicos e, durante o tratamento em casa, ficamos monitorando”, afirmou.

De acordo com o sistema de notificação do município, a FMS não registrou nenhum óbito de criança com Covid-19 na capital. Foi computado ainda que 97% desse público não tinha comorbidades e 3% possuía doenças crônicas, como diabetes, imunodeficiência, doença pulmonar, cardiovascular, renal e neurológica. Além disso, 51% das crianças eram do sexo masculino e 58% apresentaram sintomas da doença.

O médico infectologista da FMS, Walfrido Salmito, relembra que pessoas de todas as faixas etárias devem cumprir as medidas de higiene e de distanciamento social. “Vivemos a maior crise sanitária, social e econômica da história. É necessário que todos façam a sua parte para evitar a proliferação do coronavírus. Os pais, por exemplo, devem ensinar as crianças que elas têm que usar máscara a partir dos dois anos, lavar as mãos, usar álcool em gel e ficar distante das pessoas”, orientou o profissional.

Teresina já tem mais de duas mil pessoas recuperadas da Covid-19

Ludmila Carvalho é enfermeira na UPA Renascença e há cerca de um mês foi infectada pela Covid-19. Depois de uma internação, uma recuperação difícil e um período de isolamento, ela já está de volta ao trabalho, mas conta que passou por momentos de dúvida e ansiedade sobre sua recuperação. Assim como Ludmila, cerca de 2.010 pessoas já se recuperaram da doença em Teresina e estão aos poucos retomando à vida normal.

No momento da consulta médica, o paciente de Covid-19 recebe instruções sobre o isolamento domiciliar, que deve ser de 14 dias. Segundo o infectologista Kelsen Eulálio, membro da Comissão de Operações em Emergências (COE) da Fundação Municipal de Saúde (FMS), o prazo foi estabelecido com base em evidências clínicas e epidemiológicas segundo as quais a transmissão da Covid-19 acontece no máximo em até 14 dias do início dos sintomas. “Estudos mostram que após esse prazo não há mais risco de transmissão. Por isso, se a pessoa estiver totalmente recuperada, pode retomar à vida normal”, afirma ele.

O médico explica ainda que, de acordo com o protocolo atualmente adotado para acompanhamento dos casos, não há necessidade de se realizar retestagem para confirmar a cura da doença após o período de isolamento. “Sabemos que, mesmo depois do período de transmissão, ainda é possível que restos do material genético ou proteínas do vírus ainda estejam presentes, o que pode gerar um resultado positivo no teste de laboratório. Mas isso não significa dizer que você esteja no período de transmissão e que possa provocar novas infecções em outras pessoas. Do mesmo modo, não há uma recomendação de aguardar o surgimento de anticorpos do tipo IgG – que aparecem após algum tempo de infecção – nos testes sorológicos para o retorno ao trabalho”, esclarece o infectologista.

A literatura desenvolvida desde o descobrimento da doença também se mostra inconclusiva sobre uma eventual imunidade e a possibilidade de reinfecção. “O que sabemos de fato nesses seis meses de pandemia é que a reinfecção, se realmente existir, é um fenômeno extremamente raro. Mas recomendamos que, mesmo as pessoas que já tiveram Covid-19, tomem todos os cuidados como qualquer outra, até mesmo para evitar levar o vírus para outras pessoas por meio das mãos e do toque em superfícies ou objetos contaminados”, orienta Kelsen.

Ele explica que a Covid-19 pode trazer sequelas dependendo da gravidade da infecção. “A Covid-19 causa inflamação e fibrose nos pulmões, além de trombose nos vasos pulmonares, o que pode diminuir a capacidade respiratória e levar a uma diminuição da função, com cansaço fácil e maior dificuldade para a realização de atividade física. Ela também pode causar problemas musculares pela inflamação dos músculos e pelo período de imobilização em internações longas, além de já termos descrições de comprometimento cardíaco, entre outros”, enumera o infectologista.

A enfermeira Ludmila Carvalho faz questão de seguir as orientações dos órgãos de saúde e conta que segue tomando todas as medidas recomendadas, como a lavagem de mãos, limpeza de superfícies e uso de máscaras. “Até hoje, mesmo pesquisando e lendo sobre o assunto, ainda não me sinto totalmente segura para sair do isolamento. Por isso, estou tomando todas as medidas de prevenção em relação a mim e às pessoas ao meu redor, como meus pais, que são idosos, meu namorado e as pessoas mais próximas”, conta.

Ela chegou a ter 50% do pulmão comprometido, mas não sofreu sequelas. “Não tenho mais nenhum sintoma respiratório, o que me deixa mais tranquila em relação a isso, mas continuo me cuidando”.