CRAS SUL I reúne famílias de terreiros para ação social no bairro Portal da Alegria

Os serviços oferecidos na ação social foram demandas escolhidas pelas próprias famílias Fotos: Márcia Gabriele/Ascom Semcaspi

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), por meio do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS Sul I), reuniu, na manhã deste sábado, (26), no CEU Sul, no bairro Portal da Alegria, famílias de terreiros em uma ação social de cidadania, saúde e beleza. Ao total, foram convidadas famílias de 13 terreiros na região.

A ação ofereceu às famílias de terreiros serviços, como: Cadastro Único; informações sobre o Auxílio Brasil; testes de HIV, sífilis, Hepatite B e C; orientações sobre saúde; aferição de pressão; distribuição de insumos de prevenção; apresentações culturais; e atendimento de beleza.

De acordo com Aline Teixeira, secretária executiva da Semcaspi, os serviços oferecidos na ação social foram demandas escolhidas pelas próprias famílias.

“A Semcaspi, por meio do CRAS Sul I, tem desenvolvido este diálogo com o povo Terreiro. Já é o segundo momento de ação social dialogado com esta comunidade. Com serviços que eles mesmos apresentam e que estão precisando, desenvolvendo as potencialidades do território. A assistência social não é feita para as pessoas, mas é feita com as pessoas. A gestão do Dr. Pessoa tem se apresentado assim, integrada com o povo”, pontuou.

Shênia Sousa, gerente do CRAS Sul I, conta que vem mapeando o número de terreiros existentes na região e já contabiliza 13 visitados na região.

“Chegamos a visitar 13 terreiros, sendo que têm outros que chegaram, após o nosso mapeamento, mas ainda teremos esta aproximação, buscaremos completar e fazer esta busca ativa dos demais grupos. Iniciativas como esta contribuem com o reconhecimento e a preservação da comunidade de Terreiro, que faz parte dos povos tradicionais, e que necessitam de visibilidade para que haja políticas públicas efetivas voltadas para este seguimento”, destacou.

CONSCIÊNCIA NEGRA É TODO DIA

Para Mãe Gardênia, da Casa Aldeia de Caboclo, ações como estas são uma abertura para todas as comunidades se fortalecer nas políticas sociais, na cultura e no empoderamento da própria religião. “Para mim, eventos como este são muito fortalecedores. É importante dizer que estamos no mês da Consciência Negra, mas a Consciência Negra é todos os dias. Estes serviços ofertados na área de saúde, estética, ajudam a empoderar muitas pessoas nos terreiros, como idosas, gestantes, que não têm este atendimento, este olhar”, ressaltou.

Liberdade Religiosa é tema de união no Cultura Negra Estaiada na Ponte

Renato Bezerra

Em um mundo repleto de lutas e conquistas, ideias e expressões, quando se trata de cultura negra existem as palavras resistência e liberdade. Em Teresina, no último sábado (24), mais de 50 terreiros do Piauí e Maranhão estiveram reunidos no Parque Potycabana para a sétima edição do Cultura Negra Estaiada na Ponte.

Com o tema liberdade religiosa, a principal causa do evento foi mostrar para a sociedade uma manifestação de pensamento, compreendendo liberdades de crença, de culto e de expressão. Essa mesma liberdade que encanta a vendedora trans Sayara Rodrigues, frequentadora da umbanda desde o começo do ano.

Levada pela dor e pela luta contra as drogas, Sayara, através de um amigo, descobriu na umbanda um porto seguro, onde ela pode ser quem quiser, livre de preconceitos e julgamentos. “Desde os 11 anos me transformei em trans e passei por muitas coisas na vida, como o julgamento errado e o preconceito, e aí acabei nas drogas. Foi por conta da dor que conheci a cultura negra e foi libertando a dor dentro de mim que consegui sair das drogas e comecei a viver com Cristo. Dentro da minha religião não há julgamentos, só tem amor e gratidão aos santos”, afirma a vendedora.

Seguindo os moldes de edições anteriores, 11 grupos afros fizeram a abertura do evento, que seguiu em direção a Ponte Estaiada na Caminhada do Axé. A ideia era fortalecer as ações de monitoramento e controle social de políticas públicas na saúde e educação, entre outros aspectos.

Com objetivo de promover a igualdade e inclusão social dos povos de matriz africanas, o Cultura Negra é um espaço para mostrar uma das grandes expressões do país e revelar a capacidade de produção desses grupos.

Há 26 anos buscando palavras de apoio, a enfermeira Dilza Soares, atual Yakekere (mãe pequena Candomblé) encontrou no Candomblé a leveza para dias melhores. “Minha filha há 26 anos me aproximou dessa cultura tão rica e poderosa. Foi com ela que comecei a frequentar e conhecer novas crenças”, disse.

Segundo a Yakekere, o Candomblé é um lugar de encontro com Deus, onde a pessoa consegue estar em contato com todas as energias: mar, terra, ar e mar. “A união de religiões de matriz africanas mostra o respeito às religiões. Nossa cultura é estar conectado a todas as energias de maneira livre, respeitosa e com muito amor”, afirma Dilza.

Em Teresina são mais de 700 terreiros, entre candomblé e umbanda. A reunião dos terreiros tem como missão promover a igualdade e inclusão social dos povos de matriz africanas.

O sétimo Cultura Negra Estaiada na Ponte foi uma realização da Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC)  e o Centro Nacional de Africanidade e Resistencia Afro Brasileira (CENARAB).