O prefeito Firmino Filho sancionou a Lei Municipal 5.392, que institui, no Calendário Oficial de Eventos Oficiais de Teresina, o Dia do Perdão, que será comemorado anualmente no dia 30 de agosto. A Lei tem como finalidade a realização de palestras, rodas de conversas, seminários, workshops e mobilizações que difundam o incentivo e a prática do perdão a si mesmo e ao próximo.

“Pode parecer banal ter um Dia do Perdão, mas não é. Um dia de conscientização é fundamental para que os poderes constituídos, as organizações não governamentais, a iniciativa privada, as igrejas, as escolas e as famílias se mobilizem para refletir sobre saúde emocional, depressão e sobre o perdão, os benefícios do perdão na vida de cada um. A questão não é o que fizeram a você, mas sim o que fazer com esse mal. Nós precisamos aprender a lidar com nossas emoções, aprender a lidar com mágoa, tristeza, angústia, culpa, traumas, rancor e rejeição. Por isso, precisamos aprender o perdão. Perdão, de fato, no dia a dia. Quando aprendermos e vivenciarmos o perdão, teremos muito mais saúde e felicidade”, afirma Pierre Perensin, teólogo e escritor do livro Você Pode, Você Consegue Perdoar.

Para a psicóloga Raquel Fortes Vilarinho, é fácil falar em perdoar, principalmente quando se refere à vida de outras pessoas, mas o perdão é algo a ser trabalhado de forma íntima. “Todas as religiões pregam o perdão e muitas vezes a pessoa se culpa porque não consegue perdoar alguém que a magoou. A pessoa entende que é ‘obrigada a perdoar’. Na verdade, o perdão não é obrigatório. Ele é facultativo e libertador. Especialmente para quem perdoa. A mágoa nos acorrenta e aprisiona ao sofrimento. O perdão liberta, desfaz essa amarra e nos permite seguir a nossa vida. Não significa concordar com o que a pessoa lhe fez e nem mesmo esquecer. Apenas entender que aquilo passou e que depende de você permitir que continue a causar algum mal à sua vida”, observa.

A psicóloga comenta ainda que o perdão é uma prática, um exercício a ser executado diariamente, e não apenas em datas específicas, como o Natal.

“É comum a gente ouvir pessoas que rejeitam o Natal por dizerem que é uma data cheia de hipocrisia, em que aqueles que passaram o ano brigando se encontram e se abraçam. Na verdade, o perdão não deve acontecer no Natal, ele deve ser um exercício diário. A Lei é importante porque traz visibilidade a esse tema do perdão. Embora seja abordado pelas mais diferentes religiões, perdoar não pressupõe crença em algum ser superior. É um ato de humanidade para consigo. Você perdoa para fazer bem a você mesmo. Para que você viva melhor, mais leve. Para que você tire aquele sofrimento de sua vida. Por isso a importância da prática diária: eliminar diariamente, pelo perdão, tudo o que causou mal a você, intimamente. E também pedir perdão, se você tiver causado mal a alguém, mesmo sem intenção. Se for possível telefonar, falar com a pessoa, esclarecer, ótimo. Se não for possível, pelo menos mentalizar a paz, livrar-se de todo pensamento de mágoa e vingança. Isso não acontece num estalar de dedos, é preciso treino, autoconhecimento, amo próprio, autocuidado. Mas é transformador. A ciência demonstra que há várias doenças de origem psicossomática, ou seja, que começam na nossa mente e se manifestam no corpo. Perdoar é fundamental para a nossa saúde física e mental”, encerra Raquel Fortes Vilarinho.