Em alusão ao Dia de Conscientização do Autismo, CAPSi promove atividade na Ponte Estaiada

“Lugar de autista é em todo lugar”. Com este lema, o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPSi) promoveu um passeio para crianças com transtorno do espectro autista atendidas no local até o Mirante da Ponte Estaiada. A atividade ocorreu na tarde de ontem (07), em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado dia 2 de abril.

A atividade contou com a participação de cinco crianças, acompanhadas de seus familiares e da equipe do CAPSi. “Este tipo de atividade, feita por profissionais qualificados, facilita a interação e o desenvolvimento de novas habilidades para estas crianças. O papel dos pais neste processo, é de suma importância para o trabalho ser concluído com êxito”, comenta Sales Neto, coordenador do CAPSi.

Ele conta que nos próximos meses, com a flexibilização dos decretos e o avanço na vacinação, o centro fará uma retomada gradativa de suas atividades externas e coletivas, uma vez que elas são de suma importância para o desenvolvimento e sociabilização das crianças e adolescentes atendidas pelo local.

O CAPSi atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes e suas famílias de referência dentro da abrangência do território, possibilitando a reorganização social, emocional, educacional, laborativa para a vivência plena da cidadania.

O acesso aos serviços do CAPSi se dá mediante demanda espontânea, busca ativa ou encaminhada, sendo que o processo de acolhimento será efetivado mediante triagem realizada por um profissional da equipe multiprofissional, formada por psiquiatra, clínico geral, psicólogo, assistente social, nutricionista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, artesão, redutor de danos e técnico de enfermagem.

Evento sobre autismo reúne profissionais da saúde para orientar educadores

Ascom/Semec

Falar sobre os diferentes tipos de transtornos é um importante passo para lidar com eles. Por isso, hoje (7), a Secretaria Municipal de Educação (Semec) realizou uma série de palestras sobre a contribuição da equipe multidisciplinar para a inclusão do aluno com autismo.

Participaram do evento, realizado no Centro de Formação Odilon Nunes, diretores de escolas municipais, pedagogos e professores interessados em aprender mais sobre as características das crianças autistas. A Rede Municipal de Teresina possui hoje quase 500 alunos diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista.

“Até 2020 teremos bem mais autistas nas salas de aulas do que temos agora, e é preciso cuidar para que tenham os mesmos direitos de aprender. Entender como ajudar esse aluno é essencial para que ele se sinta incluído, já que provavelmente não aprenderá no mesmo ritmo e nem mesmo terá comportamento igual às demais crianças”, explicou a psicóloga Érika Said.

Para organizar o momento de atualização dos conhecimentos sobre o assunto com os educadores da Rede Municipal de Teresina, a coordenadora de Educação Inclusiva do município, Teresa Fortes, também contou com o apoio de profissionais das áreas de neuropediatria, psicopedagogia, fonoaudióloga e terapia ocupacional. “Trouxemos profissionais com diferentes visões para orientar as escolas sobre como incluir na prática”, contou Teresa.

“Assim como não existe um padrão de autista, não existe fórmula para lidar, o que precisamos é fortalecer esse laço entre a equipe de reabilitação da saúde, a escola e a família, para que possamos atender melhor as necessidades de cada criança. Esse esforço coletivo é o que garante um bom desempenho dos alunos autistas em sala de aula”, destacou Samara Barros, terapeuta ocupacional.

Para a professora Lucélia Pereira, da Escola Municipal Arthur Medeiros Carneiro, a falta de informação ainda é uma barreira. “Precisamos pensar estratégias para cada aluno que temos, individualmente, e se nosso aluno autista aprende de uma forma diferente, temos que encontrar esse formato de estímulo. Esse evento nos ajuda a pensar nisso por diferentes aspectos, contribuindo com nossa prática diretamente na escola”, destacou.

Lei reconhece caminhada de conscientização sobre autismo como bem imaterial

O prefeito Firmino Filho sancionou a Lei Municipal nº 5.399 que tomba como Bem de Natureza Imaterial da Cidade de Teresina a Caminhada em Prol da Conscientização do Autismo. O reconhecimento de que trata a Lei tem por finalidade promover a conscientização da sociedade sobre o autismo.

De acordo com Rosália Oliveira, diretora da Associação de Amigos dos Autistas do Piauí (AMA), o tombamento da Caminhada em Prol da Conscientização do Autismo traz mais visibilidade ao movimento, realizado há nove anos em Teresina.

“Há nove anos a AMA realiza, sempre no dia 02 de abril, que é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, a Caminhada em Prol da Conscientização do Autismo. O ato envolve profissionais, famílias e a sociedade e tem o objetivo de chamar a atenção sobre a necessidade de falarmos sobre o assunto. Quanto mais nós falarmos sobre esse tema, mais as pessoas compreenderão o que é o autismo e estarão melhor preparadas para acolher aqueles que têm a síndrome. Por isso, nós sempre convidamos autoridades municipais, estaduais e federais para a Caminhada, porque o papel do político é defender os interesses da população. E a pessoa com autismo e suas famílias ficam, muitas vezes, isoladas, ainda não temos, de fato, inclusão. Tornar a Caminhada um bem imaterial de Teresina é mais que ampliar a visibilidade da nossa ação, é sinalizar de forma positiva para as famílias, dizendo que essa é uma luta de toda a cidade. Nós precisamos, todos juntos, sensibilizar a sociedade, nas casas, escolas, estabelecimentos comerciais, em todos os lugares, para a importância de saber lidar com pessoas com autismo, porque elas têm direto a ser tratadas com respeito. A Lei vem para ampliar o alcance da Caminhada em Prol da Conscientização do Autismo e promover ainda mais o debate em todo o município de Teresina, destacou Rosália Oliveira.

Diana Palmer é jornalista, fotógrafa e mãe de gêmeos com autismo. Para ela, todo movimento que ajude a dar mais visibilidade e a ampliar as discussões sobre autismo são positivos.

“Antigamente, não se ouvia nem falar em autismo. E é preciso falar, falar muito. Até para as pessoas entenderem que a inclusão deve ser feita no dia a dia. A Caminhada chama a atenção para o autismo, para a presença de pessoas com autismo em todos os ambientes e para a necessidade de respeitá-las. Por isso, nós precisamos falar cada vez mais. As escolas, por exemplo, não deveriam aceitar alunos com autismo apenas porque são obrigadas por força da lei. Deveriam verdadeiramente ajudar na inclusão desses alunos no ambiente escolar, favorecer seu desenvolvimento. Nós, mães de crianças com autismo, travamos uma luta diária pelos direitos dos nossos filhos, das nossas famílias. Mas essa luta não é só nossa, é de todos. Mesmo de quem não conhece ninguém com autismo. É uma luta de todos os humanos. Ainda temos muito a alcançar. E nós alcançaremos, porque não vamos desistir”, assegurou Diana Palmer.

Especialista em educação inclusiva elogia iniciativas da Rede Municipal

O dia 2 de abril é marcado pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma data para derrubar os mitos sobre esse transtorno neurológico que afeta a comunicação e capacidade de aprendizado e adaptação da criança. Somente nas escolas da Prefeitura de Teresina, estão matriculadas mais de 500 crianças autistas.

Ascom Semec

Para fortalecer o apoio aos alunos com esse transtorno, a coordenadora de Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Teresa Fortes, participou da X Jornada de Autismo do Piauí, organizada pela Associação de Amigos dos Autistas (AMA). O evento destacou este ano a união de parceiros para a inclusão, destacando o papel da escola, família e terapeutas.

Um dos convidados da Jornada foi o educador paulista Lucelmo Lacerda de Brito, que é especialista em políticas de inclusão e pesquisador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto escolar. Lucelmo aproveitou a viagem à Teresina para conhecer uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Rede Municipal de Educação.

O pesquisador visitou, no fim de semana, a Escola Municipal Ministro Ruben Ludwig, no bairro Pedra Mole. A diretora e a professora de AEE mostraram os diferentes recursos utilizados no contraturno para auxiliar os alunos especiais, principalmente os autistas.

“Ele ficou bastante impressionado com o trabalho de inclusão desenvolvido nas unidades de ensino. Hoje contamos com ações que tornam o ambiente escolar acessível e acolhedor para todos os alunos, respeitando suas especificidades. Essa troca de experiências foi bastante proveitosa, a escola mostrou como faz e o Lucelmo deixou dicas valiosas”, concluiu Teresa Fortes.