Curso de Libras de Teresina celebra Dia Nacional dos Surdos com palestras

Ascom/ Semec

Um dia para refletir sobre os avanços e desafios da comunidade surda. Hoje (26), os cursistas de Libras da Rede Municipal de Ensino organizaram uma programação especial no Centro de Formação Odilon Nunes, em alusão ao Dia Nacional dos Surdos. A data lembra a criação da primeira Escola de Surdos no Brasil e tem o objetivo de despertar a reflexão sobre inclusão.

O evento destacou a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a segunda língua oficial do país. Misael Wesley, que é instrutor de Libras e surdo, ministrou uma palestra sobre o mercado de trabalho, apontando a necessidade de a sociedade estar preparada para se comunicar com os surdos. “O dia 26 de setembro representa nossa luta na sociedade, não podemos parar, temos que continuar a lutar pela inclusão do surdo no mercado de trabalho”, afirmou Misael.

A intérprete Crislane Castelo Branco contou sua trajetória de formação em Libras e deu força para os participantes do curso avançarem nessa área. “Os surdos já foram proibidos de sinalizar um dia, hoje observamos o esforço das escolas em construir espaços mais inclusivos. Por isso parabenizo os educadores que buscam essa qualificação, essa atitude traz esperança ao aluno surdo em sala de aula”, declarou.

Atualmente, mais de 70 estudantes surdos estão matriculados nas escolas da Prefeitura. Além de atividades específicas nas salas de Atendimento Educacional Especializado, essa turma conta com o apoio dos educadores já formados pelo curso de Libras. Durante o evento, a coordenadora de Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Teresa Fortes, falou sobre as políticas de inclusão desenvolvidas pelo município. “São quase mil profissionais formados no curso, multiplicado esse conhecimento por onde passam. Ainda temos muito para avançar, mas a perspectiva é de construir unidades de ensino cada vez mais inclusivas”, comentou Teresa.

Para o professor de Libras da Rede Municipal, Rafael Alves, hoje foi um dia de reflexão sobre as barreiras da comunicação. “O que nós estamos fazendo para incluir o surdo na sociedade?”, questionou Rafael. Segundo ele, a Libras é uma ferramenta fundamental para essa inclusão. “Hoje os alunos da Rede Municipal contam com profissionais de Libras que auxiliam na compreensão, o ideal seria que toda a população dominasse os sinais, mas já podemos comemorar conquistas”, finalizou.

Criança surda se forma em socorrista-mirim no SAMU em Teresina

Renato Bezerra

Fernanda Arielle, de 11 anos, é a primeira criança surda a se formar no Projeto Samuzinho em Teresina. Durante um ano, teve aula de primeiros socorros traduzidas em libras e, na última quarta (28), juntamente com a sua turma composta de 52 crianças, recebeu certificado e medalha pela conclusão do curso. Agora, os socorristas-mirins estão aptos a disseminar o conhecimento adquirido para a população.

“Estou feliz por participar do projeto Samuzinho. Todo mundo queria ver a minha formatura. A minha família ficou na expectativa por esse momento. Lembro que quando tinha aula eu ficava ansiosa para ir ao SAMU e aprender as técnicas.  Já sei fazer a manobra de reanimação cardíaca, de desengasgo e quais são os telefones de urgência. Tudo que aprendia contava para a minha mãe quando chegava em casa”, conta a pequena Fernanda Arielle.

Com o ensino de libras, essa edição do projeto contribuiu com a inclusão social. “A professora de idiomas Patrícia Marques ensinou sinais básicos de libras às crianças, viabilizando a comunicação com pessoas surdas. Como tínhamos crianças surdas em sala, todas as aulas também foram traduzidas para essa língua”, ressalta a Francina Amorim, diretora geral do SAMU.

Entre os socorristas-mirins que receberam o certificado está também o Walter Neto, criança de sete anos que ficou conhecida nacionalmente após ter salvado o seu primo Alírio Davi, de apenas 3 anos, que havia se engasgado com bolo alimentar que continha espinha de peixe. O caso aconteceu em junho, no bairro Santo Antônio, zona Sul de Teresina. “Participar do Samuzinho foi legal, aprendi várias técnicas e agora sei salvar pessoas”, conta Walter Neto.

Presente na formatura, o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Charles Silveira, ressaltou que o projeto Samuzinho contribui para o desenvolvimento da cidadania dos pequenos. “Hoje, celebramos a formatura de 52 crianças. Eles viraram socorristas-mirins e podem contribuir com a transformação da sociedade, na medida em que possuem o conhecimento para ajudar o próximo em uma situação de urgência”, afirma.

A formatura contou também com a participação do vice-prefeito Luiz Junior; do neurologista, Benjamin Vale; da diretora geral do SAMU, Francina Amorim; do diretor médico, José Ivaldo, da coordenadora do NEU do SAMU, Naldiana Cerqueira, representando Laurimary Caminha; das instrutoras do Projeto Samuzinho Tânia Furtado, Elisângela de Jesus, Iara Macedo, Patrícia Marques e Francilene Santos, além de profissionais da FMS e de familiares das crianças.

Como funciona o projeto

O Projeto Samuzinho foi idealizado pelo SAMU, órgão administrado pela FMS, e ensina técnicas de primeiros socorros para crianças com idade entre 7 e 12 anos. “O cronograma de aulas foi amplo e contemplou várias técnicas, como reanimação cardíaca e desengasgo”, relata Laurimary Caminha. Ela explica, ainda, que quando houver abertura de inscrição de crianças para formação de novas turmas do projeto, a FMS irá divulgar na mídia.