Aluno com TEA da rede municipal é aprovado no IFPI e destaca importância da educação inclusiva

João Gabriel e sua mãe, Francisca Araújo (Foto: Paulo Sérgio/SEMEC)

A educação pública municipal de Teresina segue transformando vidas. O estudante João Gabriel, de 15 anos, ex-aluno da Escola Municipal Areias, localizada na zona sul da capital, foi aprovado recentemente no Instituto Federal do Piauí (IFPI), conquistando uma vaga no curso de Eletrotécnica integrado ao médio.

Júlio, um adolescente com autismo, destacou o apoio recebido ao longo de sua trajetória escolar e a importância do acolhimento dentro da rede municipal. “A minha acompanhante, Julia Neris, já me ajudou muito no meu aprendizado na escola Areias. O meu professor de inglês, Arnando, que me ajudou muito a aprender matéria que eu gosto muito. As pessoas com deficiência são capazes de estudar, trabalhar como qualquer outro”, afirmou o estudante.

A mãe do aluno, Francisca Araújo, reforçou que a conquista é resultado de um trabalho contínuo da educação municipal desde a educação infantil. “Foi fundamental desde a creche do CMEI Santa Cruz, as professoras, as acompanhantes terapeutas, um aluno que não falava, não ficava na sala. E hoje está aí, aprovado no IFPI”, destacou.

Francisca também falou sobre a importância de combater o preconceito e valorizar a educação inclusiva e a escola pública. “Não tenho vergonha de dizer que meu filho tem autismo, muito pelo contrário, ele tem autismo e é capaz de estudar, trabalhar e fazer qualquer coisa como qualquer outra criança. Por isso, eu sempre apoiei e incentivei ele a usar o cordão de identificação, porque isso vai sempre ajudar ele, para que as pessoas identifiquem que ele tem autismo e que em alguns momentos ele vai ter alguma dificuldade, precisar de algum suporte, mas que isso não é negativo”, explicou.

Ela finalizou deixando uma mensagem para outras famílias e para a sociedade. “Todas as crianças, tanto típicas como atípicas, todas são capazes. E tem que tirar essa ideia de que aluno de escola pública não consegue, que não é assim. Até porque hoje eu tenho meu filho aprovado no IFPI e já tenho duas filhas formadas que foram alunas da Escola Areias desde o primeiro ano até o nono ano. Saíram daqui para o IFPI e hoje todas duas são formadas e frutos da Escola Areias”, concluiu.

CMEI realiza acolhida aos pais e responsáveis com o tema TEA

O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Frei Damião realizou recentemente um evento de grande importância voltado para o acolhimento e o apoio às famílias de crianças atípicas (que apresentam um desenvolvimento diferente do esperado para a sua idade, em relação à maioria das crianças), especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O evento teve como tema “AUTISMO: Caminhos para o Desenvolvimento das Crianças com TEA” e contou com uma palestra ministrada pela professora Elane Cristina, que também é mãe atípica e acompanhante terapêutica.

O encontro teve como objetivo proporcionar aos pais e responsáveis um espaço de escuta, aprendizado e troca de experiências sobre o desenvolvimento de crianças com necessidades especiais.

A coordenadora pedagógica do CMEI, Cristiane Burlamaqui, destacou a importância de promover esse tipo de ação dentro do centro de educação. Cristiane afirmou que o objetivo principal é proporcionar um ambiente acolhedor para as famílias, que “muitas vezes enfrentam desafios diários e sentem-se isoladas ou excluídas da sociedade.”

A palestra já foi realizada duas vezes nesse semestre. Na outra oportunidade foi conduzida por um tenente coronel da Polícia Militar, que é um pai atípico. Desta vez foi conduzida por Elane Cristina, que é professora da rede pública e uma mãe atípica, e compartilhou sua experiência.

Este evento faz parte de um ciclo de ações que o CMEI Frei Damião tem promovido com o objetivo de dar voz e apoio às mães e pais de crianças com TEA. Além disso, Cristiane ressaltou que essas iniciativas são fundamentais para a criação de uma rede de apoio dentro da unidade e na comunidade. “Esses encontros são momentos de troca de experiências, de aprendizado, e acima de tudo, de acolhimento. As famílias sabem que podem contar conosco para enfrentar as dificuldades”.

Além da palestra, o evento contou com um café especial para os participantes, que teve como objetivo promover um ambiente descontraído e acolhedor. As professoras do CMEI Frei Damião se organizaram para arrecadar fundos e proporcionar um café da tarde para as mães e pais presentes.

“O café é uma forma de demonstrarmos que a escola está aqui para apoiar, para receber e para criar um ambiente de acolhimento. É um gesto simples, mas que simboliza nossa disposição para ajudar e estreitar os laços com as famílias”, explicou Cristiane.

A Secretaria Municipal de Educação (Semec) tem se empenhado em promover atividades que envolvem a inclusão de crianças com necessidades especiais e o apoio contínuo a seus familiares.

“Nosso papel é garantir que todos os estudantes da rede pública, independentemente de suas condições, tenham acesso a uma educação de qualidade e que suas famílias recebam o suporte necessário”, afirmou o secretário municipal de Educação, professor Reinaldo Ximenes.

Com a realização do evento, o CMEI Frei Damião e a Semec reafirmam seu compromisso com a educação inclusiva e com o fortalecimento da comunidade escolar. O centro segue comprometido em promover mais encontros como esse, que ajudam as famílias a lidar com os desafios do dia a dia e criam uma rede de apoio fundamental para o desenvolvimento das crianças com TEA e suas famílias.

Coordenação pedagógica da Semec realiza 7ª formação do ano

A Secretaria Municipal de Educação (Semec) realizou a formação “Adequação de Atividades da Educação Inclusiva”, no Centro de Formação Professor Odilon Nunes, zona Norte de Teresina, voltada para pedagogos dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). A palestra foi organizada pela coordenadora pedagógica da Semec, Silvia Brito, com participação da Divisão de Educação Inclusiva (DEI), representada pela coordenadora Cássia Dias.

A reunião teve por objetivos orientar os pedagogos sobre estratégias necessárias para garantir a inclusão integral dos estudantes PcDs (Pessoa com Deficiência) no processo de ensino e aprendizagem. “Esperamos que tenha um impacto bastante positivo na garantia do direito da criança em aprender. Não basta estar matriculada, é preciso que permaneça na escola. Vai aprender brincando e vai aprender segundo suas peculiaridades próprias”, pontua Silvia.

Segundo Cássia, atualmente a Rede Municipal de Ensino conta com aproximadamente 4000 estudantes com necessidades especiais, 2000 deles com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dentre muitas outras condições e deficiências físicas. Este foi o 7º encontro da formação continuada que a Semec oferta para pedagogos da Rede Municipal de Ensino, que são responsáveis diretos por passar orientações acerca da execução das diretrizes educacionais da Secretaria para os professores.

O momento de acolhida com os pedagogos foi realizado pela psicóloga Celina Lira e a formação ocorreu com a participação da psicóloga Euna Nayara, que detalhou para o público presente as metodologias e cuidados próprios necessários para se comunicar e atender a demanda dos alunos com necessidades especiais, bem como evitar postura desrespeitosa ou que provoque desconforto.

A formação com a Coordenação Pedagógica da Rede Municipal ocorre para garantir que o público PcD e com espectros sejam recebidos, acolhidos e tenham o direito ao aprendizado respeitado nas escolas. Amanhã (28) a formação será realizada com os pedagogos das escolas municipais.