Ascom/Semec

Quem anda pelos espaços coletivos da Escola Municipal Lunalva Costa, logo é avisado: recomendações como “não correr neste espaço”, “mantenha o banheiro sempre limpo” e “não atrapalhe a aula” estão escritas com todas as letras nas placas elaboradas pelas crianças do 3º ano da escola.

“Os alunos saíram da função de espectadores para a de produtores daquele gênero textual, o aviso”, explica o professor Ítalo da Silva, que decidiu ir ao encontro das situações comunicativas reais dos alunos com o projeto “Sinalizando a escola: um elo de construção entre alfabetização e letramento”, realizado em 2017.

Após avaliar que as turmas sentiam dificuldade com a rigidez das propostas do material didático, repetitivas e sem elo com a realidade, e receber o sinal verde para fazer os ajustes necessários para a aprendizagem, Ítalo decidiu colocar os estudantes como protagonistas. A turma saiu da sala, investigou as demandas e criou frases e ilustrações que se tornaram placas afixadas pela escola.

Em 2018, o projeto foi um dos 50 finalistas do prêmio Professor Nota 10. Simples, a ideia trouxe resultados importantes: ao elaborar os avisos, as crianças entenderam que as mensagens precisavam ser claramente compreendidas pelos demais, refinaram suas habilidades de leitura e escrita e contribuíram de forma positiva para o espaço escolar.

Após sugerir o aviso para sinalizar o local correto de descarte do lixo, por exemplo, um aluno observou que não havia cestos suficientes no banheiro, uma necessidade levada até a direção da escola. “A BNCC diz que o aprendizado surge quando a prática é significativa. A elaboração das placas foi grandiosa para os alunos construírem a alfabetização e a cidadania”, conta Ítalo.

A proposta esta sendo tão bem aceita que foi destaque na revista Nova Escola, na edição deste mês de junho.