Palestrante surdo destaca a importância da Libras em data especial

Nesta quinta, 26 de setembro, comemora-se o Dia Nacional dos Surdos. Para celebrar a data e promover uma reflexão sobre inclusão, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) vai realizar uma palestra no Centro de Formação Odilon Nunes, a partir das 8h. O evento é direcionado para os cursistas de Libras da rede municipal de ensino de Teresina.

O tema trabalhado será “O surdo e o mercado de trabalho: a importância da Libras” e vai ser ministrada por Misael Wesley, que é surdo e instrutor da língua. A intérprete Crislane Castelo Branco também participará da oratória. O diálogo será feito no sentido de fortalecer os direitos dessa comunidade e mostrar como a Língua Brasileira de Sinais é essencial para a interação dessas pessoas na sociedade.

A organização é da Divisão de Educação Inclusiva da Semec, feita pelo professor Rafael Alves. Ele é responsável pelo curso, ofertado gratuitamente pela rede municipal. Equipes escolares e um público ligado à área da saúde têm aprendido noções básicas, intermediárias e até avançadas de comunicação com essa comunidade. A iniciativa é parte do processo de inclusão promovido pela Prefeitura de Teresina.

FMS amplia atendimento psicológico aos usuários surdos em Teresina

Para facilitar o acesso e melhorar o atendimento em saúde de pessoas surdas, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina iniciou a capacitação em libras de psicólogos que atuam nos sete Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Atualmente, o CAPS III da zona sul da capital piauiense já atende usuários com deficiência auditiva que necessitam de apoio psicológico. O psicólogo Edmilson Ribeiro já aprendeu a língua dos sinais e está atendendo pessoas surdas no local.

“Em nosso trabalho, através das libras, buscamos compreender a situação desse tipo de usuário e o vínculo terapêutico vai se consolidando. Isso facilita a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças mentais, o que potencializa a qualidade de vida do indivíduo”.

O presidente da FMS, Charles Silveira, fala do papel da Fundação nessa importante missão. “Com o curso, que terá duração de um ano, iremos garantir uma assistência psicológica adequada à população surda, já que quebraremos barreiras comunicacionais. Essa ação também materializa o compromisso da FMS em contribuir com a inclusão social”.

A FMS já conta com sete CAPS, voltados ao acolhimento de usuários com transtornos mentais severos e persistentes. Nos locais são oferecidas assistências médica e psicossocial, além de desenvolvidas atividades em grupo, visitas domiciliares e outras ações que estimulam a integração social e familiar.

Segundo o último censo demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísica (IBGE) em 2010, Teresina possui uma população residente de 1.149 pessoas diagnosticadas com deficiência auditiva total e permanente. Há, ainda, 7.512 que perderam parte da audição e tem grande dificuldade em ouvir.

Criança surda se forma em socorrista-mirim no SAMU em Teresina

Renato Bezerra

Fernanda Arielle, de 11 anos, é a primeira criança surda a se formar no Projeto Samuzinho em Teresina. Durante um ano, teve aula de primeiros socorros traduzidas em libras e, na última quarta (28), juntamente com a sua turma composta de 52 crianças, recebeu certificado e medalha pela conclusão do curso. Agora, os socorristas-mirins estão aptos a disseminar o conhecimento adquirido para a população.

“Estou feliz por participar do projeto Samuzinho. Todo mundo queria ver a minha formatura. A minha família ficou na expectativa por esse momento. Lembro que quando tinha aula eu ficava ansiosa para ir ao SAMU e aprender as técnicas.  Já sei fazer a manobra de reanimação cardíaca, de desengasgo e quais são os telefones de urgência. Tudo que aprendia contava para a minha mãe quando chegava em casa”, conta a pequena Fernanda Arielle.

Com o ensino de libras, essa edição do projeto contribuiu com a inclusão social. “A professora de idiomas Patrícia Marques ensinou sinais básicos de libras às crianças, viabilizando a comunicação com pessoas surdas. Como tínhamos crianças surdas em sala, todas as aulas também foram traduzidas para essa língua”, ressalta a Francina Amorim, diretora geral do SAMU.

Entre os socorristas-mirins que receberam o certificado está também o Walter Neto, criança de sete anos que ficou conhecida nacionalmente após ter salvado o seu primo Alírio Davi, de apenas 3 anos, que havia se engasgado com bolo alimentar que continha espinha de peixe. O caso aconteceu em junho, no bairro Santo Antônio, zona Sul de Teresina. “Participar do Samuzinho foi legal, aprendi várias técnicas e agora sei salvar pessoas”, conta Walter Neto.

Presente na formatura, o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Charles Silveira, ressaltou que o projeto Samuzinho contribui para o desenvolvimento da cidadania dos pequenos. “Hoje, celebramos a formatura de 52 crianças. Eles viraram socorristas-mirins e podem contribuir com a transformação da sociedade, na medida em que possuem o conhecimento para ajudar o próximo em uma situação de urgência”, afirma.

A formatura contou também com a participação do vice-prefeito Luiz Junior; do neurologista, Benjamin Vale; da diretora geral do SAMU, Francina Amorim; do diretor médico, José Ivaldo, da coordenadora do NEU do SAMU, Naldiana Cerqueira, representando Laurimary Caminha; das instrutoras do Projeto Samuzinho Tânia Furtado, Elisângela de Jesus, Iara Macedo, Patrícia Marques e Francilene Santos, além de profissionais da FMS e de familiares das crianças.

Como funciona o projeto

O Projeto Samuzinho foi idealizado pelo SAMU, órgão administrado pela FMS, e ensina técnicas de primeiros socorros para crianças com idade entre 7 e 12 anos. “O cronograma de aulas foi amplo e contemplou várias técnicas, como reanimação cardíaca e desengasgo”, relata Laurimary Caminha. Ela explica, ainda, que quando houver abertura de inscrição de crianças para formação de novas turmas do projeto, a FMS irá divulgar na mídia.

Professora da Rede Municipal aprende Libras e ensina para seus alunos

Ascom/ SEMEC

O curso de Libras oferecido aos educadores pela Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) está sendo multiplicado e têm alcançado até as crianças. No Centro Municipal de Educação Infantil Valquíria Ferraz Sousa, zona Sul de Teresina, a professora Ana Maria ensina tudo que aprende para sua turma, crianças de cinco e seis anos de idade.

A professora frequenta as aulas de Língua Brasileira de Sinais para aperfeiçoar suas práticas enquanto educadora. O conjunto de formas gestuais é utilizado pelos deficientes auditivos para comunicação, sendo a segunda língua oficial do Brasil.

Enquanto Ana Maria aprende em diferentes módulos essa forma de comunicação, na escola ela multiplica com as crianças e amplia o significado de educação inclusiva. Os pequenos do II Período da Educação Infantil já conhecem o alfabeto completo, palavras simples e músicas.

“Considero essa formação em Libras muito importante para minha profissão, sou alfabetizadora e quero que meus alunos já construam esse novo aprendizado logo”, declara. Ana Maria aproveita as atividades na escola para treinar a prática com as crianças, estimulando apresentações, diálogos e a multiplicação do conhecimento. “Trago a didática que aprendo no curso para nossas aulas, assim eles aprendem junto comigo”, ressalta a professora.

Construção de cartazes ajuda na conscientização sobre educação inclusiva

Os educadores que participam do Curso de Libras oferecido pela Prefeitura de Teresina, através da Secretaria Municipal de Educação (Semec), firmaram mais um compromisso em prol da inclusão. As turmas dos níveis básico e intermediário se uniram em um aulão que culminou na construção de cartazes sobre a importância do estudo da Língua Brasileira de Sinais para a inclusão das crianças com surdez.

O grupo é formado por membros das equipes escolares da Rede Municipal de Teresina, que estão aprendendo a linguagem para melhorar a comunicação com os alunos surdos. Além das aulas semanais, professores, diretores e pedagogos participam de atividades práticas que promovem reflexões sobre a educação inclusiva e a qualidade de vida das pessoas com necessidades especiais na sociedade.

O professor Rafael Alves explica que o aulão, promovido no Centro de Formação Odilon Nunes, foi importante para contextualizar os participantes do curso acerca da luta das pessoas com surdez pela efetivação dos seus direitos.

“Conversamos mais sobre as conquistas, legislação e dificuldades do surdo, para que o aprendizado da Libras seja significativo, dentro da realidade que vivemos hoje. A construção coletiva dos cartazes amplia esse debate e revela o que os educadores aprenderam ao longo das aulas. O resultado é um grupo mais engajado, pronto para defender essa bandeira”, disse Rafael.

Para a vice-diretora da Escola Municipal Nossa Senhora do Amparo, Cândida Silva, o Curso de Libras prepara para a vida. “Sempre tive curiosidade, agora fui motivada pela presença de um aluno surdo na escola. Quando a gente quer muito aprender, fica mais fácil, então já tenho avançado muito nas aulas, conseguimos fazer da nossa escola um ambiente mais acolhedor para esse aluno e os próximos”, conta. Cândida faz o curso junto com a professora do aluno com surdez, que tem 8 anos de idade e está matriculado no 4º ano.

Os cartazes, frases e colagens produzidos durante a atividade prática ficarão expostos no Centro de Formação como forma de intervenção no espaço. A ideia é expandir as mensagens para mais educadores e incentivar a participação das aulas de Libras, que são totalmente gratuitas.