CMAM atende crianças com TDAH e registra mais de 800 atendimentos médicos em 2025

Equipe CMAM lembra data alusiva ao TDAH (Foto: Ascom FMS)

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é celebrado em 13 de julho. Em Teresina, as equipes do Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar – CMAM chamam atenção para a data, que é importante para aumentar o conhecimento sobre o transtorno e combater o estigma que o cerca.

O CMAM tem como objetivo realizar atendimento médico e multidisciplinar para crianças e adolescentes da Rede Pública Municipal de Ensino, que tenham transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem. O Centro está ancorado ao que preceitua a Lei Federal 14.254, de novembro de 2021, que dispõe sobre o acompanhamento integral para Educandos com Dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou outro Transtorno do Aprendizado.

No centro, são oferecidos serviços médicos nas (áreas de neuropediatra e psiquiatra) e terapêuticos (nas áreas de assistência social, psicopedagogia, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional).

“No ano de 2025, foram abertas mais 346 novas vagas, até o dia 30 de junho de 2025 já foram realizados mais de 800 atendimentos médicos, com neuropediatra e psiquiatra, e quase mil sessões, por mês, entre psicologia, avaliação psicológica, terapia ocupacional, psicopedagogia e fonoaudiologia. O CMAM também conta com o Serviço Social que faz todo o trabalho de articulação com as famílias e parceria com a rede sócio assistencial do município”, explica Cássia Dias, diretora do CMAM.

Pesquisas recentes apontam que a incidência de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) na população mundial varia entre 5% e 7% em crianças e adolescentes, persistindo em cerca de 60% dos casos na vida adulta. Esses dados reforçam a relevância de um diagnóstico precoce e de um tratamento multidisciplinar — envolvendo acompanhamento médico, psicológico, fonoaudiológico, terapia ocupacional e intervenções psicopedagógicas — para minimizar prejuízos acadêmicos, profissionais e sociais. O tratamento adequado é essencial para que pessoas com TDAH desenvolvam estratégias de organização, regulação emocional e manejo de impulsividade, possibilitando uma vida mais funcional e com maior qualidade de vida.

O TDAH é um transtorno neurobiológico que afeta crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo. O TDAH é caracterizado por sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem impactar significativamente a vida acadêmica, profissional e social das pessoas afetadas.

O CMAM abre vagas anualmente para as instituições educativas e cabe à gestão escolar identificar o perfil do estudante que vai ser encaminhado conforme os critérios apontados. O CMAM, conforme sua capacidade de atendimento, procura atender, até o final de 2025, todos os estudantes encaminhados que estejam dentro do perfil deste centro. O Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Teresina, em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS) e a Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) e está em funcionamento desde abril de 2017.

Professores são orientados para lidar com desatenção e dificuldades de aprendizagem

Ascom/Semec

Para garantir que os alunos que apresentam algum tipo de desatenção ou transtorno tenham bom desempenho no processo de alfabetização, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) está preparando os professores para melhor lidar com cada especificidade. Hoje (8), docentes de língua portuguesa do 2º ano participaram, no Centro de Formação Odilon Nunes, de uma palestra sobre métodos de inclusão das crianças com TDAH e autismo.

Na sexta-feira (12) serão professores do 1º ano. O espaço foi promovido a partir de uma parceria da Divisão de Educação Inclusiva com o Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar Professora Ceiça Carvalho. As atividades realizadas em conjunto têm apoiado os professores nas estratégias pedagógicas que transformam a realidade da sala de aula para os alunos com deficiência.

Dessa vez, o diálogo foi com foco na alfabetização das crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e autismo. Segundo a coordenadora pedagógica da Semec, Hostiza Machado, o encontro surgiu da necessidade de atender as especificidades dos alunos com transtornos que estão no ciclo de alfabetização.

“Os professores tinham essa demanda de conhecer melhor estratégias pedagógicas na perspectiva inclusiva. Então, fizemos a interlocução para ampliar as políticas voltadas para a inclusão, considerando a complexidade do tema”, explicou.

Durante a palestra, as profissionais do CMAM deram dicas que vão desde a organização da sala de aula pensando nos alunos com TDAH e autismo, à aplicação de exercícios práticos específicos para esse público. “Primeiro é preciso entender que cada aluno tem sua forma de aprender, e alguns transtornos levam a criança a falta de atenção ou agitação extrema, a escola precisa considerar isso para ter êxito no processo de alfabetização da turma por completo”, afirmou Daniela Coutinho, diretora do Centro Multidisciplinar.

Na sala de aula da professora Rejane Leão, da Escola Municipal Dom Helder Câmara, os alunos estão indo bem em leitura e escrita. Ela conta que atende três alunos com transtornos de aprendizagem e acaba de pegar novas dicas para apoiá-los ainda mais nessa etapa.

“É de fundamental importância que o professor participe das formações, conheça e estude esse assunto para saber trabalhar com seus alunos. As crianças não aprendem ao mesmo tempo, mas se você conhece os obstáculos e procura formas de superar, vai ampliando o horizonte e conseguindo extrair o melhor da turma”, disse. Segundo Rejane, palestras como essa orientam os professores sobre como conseguir apoio. “É muito bom aprender formas alternativas e saber onde procurar ajuda, até para passar informações corretas para as famílias”, conclui.

Especialista em educação inclusiva elogia iniciativas da Rede Municipal

O dia 2 de abril é marcado pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma data para derrubar os mitos sobre esse transtorno neurológico que afeta a comunicação e capacidade de aprendizado e adaptação da criança. Somente nas escolas da Prefeitura de Teresina, estão matriculadas mais de 500 crianças autistas.

Ascom Semec

Para fortalecer o apoio aos alunos com esse transtorno, a coordenadora de Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Teresa Fortes, participou da X Jornada de Autismo do Piauí, organizada pela Associação de Amigos dos Autistas (AMA). O evento destacou este ano a união de parceiros para a inclusão, destacando o papel da escola, família e terapeutas.

Um dos convidados da Jornada foi o educador paulista Lucelmo Lacerda de Brito, que é especialista em políticas de inclusão e pesquisador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto escolar. Lucelmo aproveitou a viagem à Teresina para conhecer uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Rede Municipal de Educação.

O pesquisador visitou, no fim de semana, a Escola Municipal Ministro Ruben Ludwig, no bairro Pedra Mole. A diretora e a professora de AEE mostraram os diferentes recursos utilizados no contraturno para auxiliar os alunos especiais, principalmente os autistas.

“Ele ficou bastante impressionado com o trabalho de inclusão desenvolvido nas unidades de ensino. Hoje contamos com ações que tornam o ambiente escolar acessível e acolhedor para todos os alunos, respeitando suas especificidades. Essa troca de experiências foi bastante proveitosa, a escola mostrou como faz e o Lucelmo deixou dicas valiosas”, concluiu Teresa Fortes.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pode ter causas genéticas

O TDAH é um Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Esse transtorno é um dos transtornos neurocomportamentais mais frequentes na infância, daí a importância de se diagnosticar precocemente e o quanto antes iniciar o tratamento.

“Ele é um transtorno multifatorial, ou seja, causado por vários fatores, entre os mais frequentes e mais estudados atualmente estão as causas genéticas, que podem estar relacionadas com este transtorno. O diagnóstico se baseia nos sintomas da crianças que a família traz ao consultório, nas queixas que a escola traz pros pais e eles levam ao consultório. São sintomas relacionados à hiperatividade, desatenção, impulsividade, e que prejudicam essa criança no seu desenvolvimento de alguma forma”, explica Nayana Falcão, neuropediatra do Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar (CMAM), da Prefeitura de Teresina, que tem a meta de realizar até o fim do ano aproximadamente nove mil sessões de terapias multidisciplinares, atendendo crianças que estudam na rede municipal de ensino e que apresentam algum tipo de dificuldade de aprendizagem.

O diagnóstico do TDAH é clínico, não necessita de exames complementares de imagem ou eletroencefalograma, embora algumas vezes possa ser necessário pedir esses exames para se afastar algum outro diagnóstico diferencial. “O tratamento deve ser multidisciplinar, ou seja, deve ser acompanhado por um médico neuropediatra ou psiquiatra infantil, deve ter o acompanhamento com o psicólogo, às vezes é necessário acompanhamento psicopedagógico (se essa criança já tem no momento do diagnóstico alguma defasagem no aprendizado), às vezes é necessário também acompanhamento com terapeuta ocupacional, e algumas vezes também essas crianças podem apresentar alguns transtornos articulatórios que necessitam de acompanhamento fonoaudiológico”, informa Nayana Falcão.

Ela diz ainda que é muito importante também a participação dos pais no tratamento do TDAH. O envolvimento da família de maneira a auxiliar os demais profissionais no acompanhamento da criança. “E é importante também o acompanhamento da escola no sentido de todos juntos auxiliarem na melhora do tratamento dessa criança. Associado a isso também é necessário tratamento medicamentoso para que se alcance um controle químico desses sintomas e para que essa criança não tenha prejuízos no seu contexto de vinda decorrente do TDAH”, finaliza.

 

 

CMAM realiza fórum para dialogar sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

Professores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais de Teresina participam nesta sexta-feira (15) do I Fórum Municipal sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, no Centro de Formação Odilon Nunes. A organização é do Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar Professora Ceiça Carvalho (CMAM), uma parceria da Secretaria Municipal de Educação (Semec) com a Fundação Municipal de Saúde (FMS) para o atendimento de crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é a patologia neurocomportamental mais frequente na infância, por isso o Fórum traz uma ampla discussão sobre o que é, como identificar e as principais formas de tratamento. O objetivo é informar corretamente para desmistificar o transtorno.

A programação inclui palestras e mesas redondas com psiquiatra, psicóloga, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, entre outros especialistas do CMAM. Um relato de caso também vai ajudar os participantes a entenderem na prática todas as etapas, do diagnóstico ao tratamento.

A neuropediatra Nayana Falcão explicou as bases biológicas e comportamentais que contribuem para o desenvolvimento e manutenção dos comportamentos do TDAH. “É um transtorno que gera desatenção e hiperatividade, a partir de distúrbios nas funções cerebrais. Entender melhor esses sintomas pode fazer toda a diferença na forma como o aluno com a patologia será tratado na escola. Ele é capaz de aprender e precisamos trabalhar em conjunto para que isso aconteça”, afirma a especialista.

Segundo o secretário municipal de Educação, Kleber Montezuma, o trabalho desenvolvido pelo CMAM, que completa dois anos de atuação, é pioneiro no Nordeste. “Teresina é exemplo para o país ao acolher alunos com transtornos e dificuldades de aprendizagem em um centro especializado, tratando com uma equipe multiprofissional de excelência. Isso muda completamente a vida dessas crianças”, destaca.

O presidente da FMS, Charles Silveira, também participou do evento e exaltou o serviço prestado pelo CMAM. “Temos que institucionalizar o Centro para que seja uma política permanente. Estamos trabalhando juntos pelo bem da cidade”, falou sobre a parceria. Charles aproveitou para lembrar da importância dos professores na identificação dos casos de transtorno. “Os professores possuem esse olhar sensível, conhecem seus alunos, então temos que entender as patologias para melhor acolher nossas crianças e adolescentes”, disse.

Para a diretora do CMAM, Daniela Escórcio, o evento é a coroação dos primeiros anos de atuação, contabilizando mais de 13 mil atendimentos terapêuticos. “Dobramos nossa capacidade de atendimento e hoje contamos com uma rede de parceiros para apoiar as crianças e os adolescentes em todas as suas dificuldades. Mais que números, prezamos pela qualidade. O aluno que passa pelo CMAM volta para sala de aula pronto para aprender”, conclui.

I Fórum de Transtorno de Déficit é realizado nesta sexta (15)

O Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar (CMAM) realiza hoje, 15 de março, das 8h às 16h, o I Fórum Municipal sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A atividade está sendo realizada no Centro de Formação Odilon Nunes e tem como tema TDAH da Conscientização ao Tratamento – como professores e profissionais podem intervir.

Na programação estão previstas palestras com a neuropediatra Nayana Falcão, abordando O que é TDAH e como tratar. O psiquiatra da infância e adolescência, Francisco Brito, falará sobre Transtorno Opositor Desafiador. “Ainda teremos participação de psicólogas, psicopedagogas, fonoaudiólogas e terapeutas ocupacionais”, informa Daniela Escórcio de Macêdo, diretora do CMAM.

Para o Forúm foi disponibilizada uma vaga para cada unidade de ensino que já fez encaminhamento de aluno para o CMAM no ano de 2018. A preferência é para aquele professor da escola que lida com aluno diagnosticado com TDAH ou com suspeita.

O Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar tem como objetivo realizar atendimento médico e multidisciplinar para crianças e adolescentes da rede pública municipal de ensino, que tenham transtorno e/ou dificuldades de aprendizagem, na faixa etária de 5 a 16 anos, dentre os quais alguns com TDAH.