Metodologia de ensino aplicada com indígenas Warao em Teresina desperta atenção do MEC

Na manhã desta quarta-feira (10) equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação (Semec) esteve fazendo vistorias de acompanhamento das atividades pedagógicas aplicadas nas turmas de indígenas Warao atendidas pelas unidades de ensino da Rede Municipal de Educação de Teresina.

Foram visitadas as turmas da Escola Municipal Mocambinho, Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Peixe Vivo e Escola Municipal Iolanda Raulino. Estas unidades de ensino recebem o projeto Alfabetização sem Fronteiras, desenvolvido pela Semec em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O projeto traz propostas de inserção das crianças em idade regular nas escolas municipais mais próximas dos abrigos, mas também inclui uma espécie de educação trilíngue para jovens e adultos. Com apoio dos educadores pertencentes ao próprio povo Warao, os professores da Rede Municipal levarão ensinamentos nas línguas portuguesa, espanhola e indígena.

A metodologia aplicada no projeto Alfabetização Sem Fronteiras despertou o interesse do Ministério da Educação (MEC) em replicar a proposta aplicada pela Rede Municipal de Educação de Teresina em outras cidades do país. “O que a gente sabe é que em outros estados que atendem a comunidade Warao foi observado a não inserção da cultura dos indígenas no processo de ensino deles, e aqui em Teresina há uma articulação diferenciada”, destacou a professora Raquel lima.

“Os professores que atuam com a comunidade indígena Warao passam por um processo de formação. Na oportunidade existe um envolvimento no planejamento pedagógico, objetivando atender as necessidades educacionais desse público, valorizando a sua cultura”, disse Bárbara Anne, gerente de Ensino Fundamental – Anos Iniciais da Semec.

Semec inicia aulas para comunidade indígena Warao

Na manhã desta terça- feira (21), o secretário executivo de Ensino, Reinaldo Ximenes, acompanhado da equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação (Semec), esteve visitando os alunos da comunidade Warao, que estão sendo atendidos pelo projeto Alfabetização sem Fronteiras na Escola Municipal Mocambinho, na zona norte de Teresina. Na unidade, estão sendo atendidos 20 alunos, que estão passando pelo processo de alfabetização e letramento.

O Projeto Alfabetização sem Fronteiras visa alfabetizar as crianças e adolescentes filhos das famílias migrantes refugiadas indígenas venezuelanas da etnia Warao, acolhidos pelo Brasil e residentes em Teresina, com o intuito de realizar a inclusão no processo educacional. Com apoio dos educadores pertencentes ao próprio povo Warao, os professores da Rede Municipal levarão ensinamentos nas línguas portuguesa, espanhola e indígena

A Secretaria Municipal de Educação (Semec), em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), realiza atendimento a 100 crianças indígenas venezuelanas nas Escolas Municipais Mocambinho e Iolanda Raulino, ambas na zona Norte, e a Escola Municipal Dona Isabel Pereira, na zona Rural da capital.

“Proporcionar a essas crianças dignidade. Assim foi pensado o projeto Alfabetização Sem Fronteiras. A partir do conhecimento proporcionar a essas crianças aprendizado que contribua para sua vida profissional, esse é o nosso desejo”, afirmou Reynaldo Ximenes Secretário Executivo de Ensino da Semec.

Larissa Oliveira, professora de língua Portuguesa, fala do desafio de alfabetizar a comunidade. Ela afirma que as crianças aprendem muito rápido e a troca de experiência com outro professor nativo desperta neles o interesse em conhecer ainda mais nossa língua, não esquecendo a sua própria cultura.

Venezuelanos participam de seminário sobre indígenas Warao na UFPI

Os migrantes venezuelanos estão participando do Seminário Indígenas Warao: Direitos e Práticas de Acolhimento e Proteção. O evento segue até o dia 13 de setembro e tem como objetivo refletir sobre a situação dos refugiados que estão residindo em Teresina. O debate acontece no auditório Noé Mendes do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL) da Universidade Federal do Piauí.

O coordenador do abrigo do CSU do bairro Buenos Aires, Charles Oliveira, elencou que dentro da programação do encontro serão realizadas conferências, minicurso, palestra, grupo de discussão, mesas-redondas e exposição de artesanato produzido pelos venezuelanos dentro dos abrigos.

“Estamos apresentando a sociedade o comportamento sociocultural deles. Eles saíram de um local de Delta onde realizavam a pesca, caça e buscavam frutas na floresta. É interessante entender o impacto dessa mudança com a realidade urbana de outro país que eles tiveram que se submeter. Neste Seminário, teremos a oportunidade de ouvi-los e conhecer um pouco da cultura deles através do material que eles aproveitam dentro do abrigo” disse o coordenador.

A coordenadora geral do evento, professora Carmen Lúcia Silva Lima, destacou que o encontro vai estimular uma discussão aberta sobre a situação dos refugiados e desfazer manifestações preconceituosas por parte da sociedade brasileira.

“O debate quer desfazer essas ideias equivocadas e manifestações preconceituosas contra os venezuelanos. Eles desejam falar de sua cultura e identidade, dos motivos da migração e dos problemas que enfrentam no momento. Nós acreditamos que o evento será bem sucedido”, afirma.

Além dos professores e alunos da UFPI, o evento conta ainda com representantes da Secretaria municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) da Prefeitura Municipal de Teresina, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR/ONU), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Defensoria Pública da União (DPU), Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo (APOINME), Instituto Federal do Piauí (IFPI), Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos (SASC), Superintendência de Relações Sociais (SUPRES) do Governo do Estado do Piauí e do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Piauí e Cáritas Arquidiocesana.